
Emir Gurjão
Pós graduado em Engenharia Nuclear; ex-professor da Universidade Federal de Campina Grande; Secretário de Ciências, Tecnologia e inovação de Campina Grande; ex-secretário adjunto da Representação do Governo da Paraíba, em Campina Grande; ex-conselheiro de Educação do Estado da Paraíba.
Adeus a Delgado Germano: um enfermeiro que virou referência e um trezeano que virou símbolo
Publicado em 1 de dezembro de 2025Faleceu Delgado Germano — o “Germano” que tanta gente conhecia pelo nome curto e pela presença marcante. Natural de Soledade, ele carregou duas paixões de forma rara: a enfermagem, como missão, e o Treze Futebol Clube, como parte da identidade. Quando alguém assim parte, não é só a família que sente. Sente a categoria, sente a cidade, sente a torcida.
De Soledade para a vida: estudo, disciplina e vocação
Germano construiu seu caminho com o passo firme de quem sabe aonde quer chegar. Estudou no Colégio Alfredo Dantas e depois no Colégio Estadual da Prata, até se formar em Enfermagem. E quem convive com a realidade da saúde sabe: enfermagem não é só profissão, é linha de frente. É aquela mão que segura a outra quando a medicina ainda está decidindo o próximo passo. É presença quando a família não pode estar.
Na minha visão, isso explica muito do Germano: ele não se limitou ao “fazer o trabalho”. Ele abraçou o sentido do trabalho.
Brasília: profissão na prática e defesa da categoria no Brasil inteiro
Em Brasília, além de exercer a enfermagem, Germano se tornou um defensor incansável da classe. Teve atuação de destaque no COREN-DF e também no COFEN, com alcance nacional, além de participação no sindicato da categoria, o SINDATE-DF.
Aqui vale uma analogia simples do cotidiano: tem gente que “joga a partida” e tem gente que também “cuida do time”. Germano fez as duas coisas. Trabalhou na base — onde o serviço acontece de verdade — e também brigou por melhores condições, respeito e valorização para quem sustenta o sistema de saúde com o próprio corpo, plantão após plantão.
O Treze como destino: paixão que atravessa quilômetros
Mas falar de Germano sem falar do Treze é como falar de futebol sem bola. Ele tinha uma paixão enorme pelo Treze Futebol Clube. Quando morava em Brasília, fazia o que poucos fazem: vinha a Campina Grande somente para assistir aos jogos do Treze. Isso diz muito. Porque viajar para ver jogo não é “programa”: é compromisso emocional.
Depois, ao retornar de Brasília, fixou residência em João Pessoa — e, mesmo assim, não perdia uma partida. Chegou a comprar um apartamento em Campina Grande para facilitar a vida de torcedor e estar perto do Galo quando o Treze entrava em campo. Germano não era “torcedor de ocasião”. Era daqueles que carregam o clube como quem carrega uma bandeira por dentro.
Na minha opinião, isso é o retrato do torcedor raiz: o que acompanha no sol e na chuva, no acesso e na queda, no grito e no silêncio. O Treze, para ele, não era entretenimento — era pertencimento.
Uma ausência que é de muitos
É natural que a família sinta mais de perto e mais fundo. Mas é igualmente verdadeiro dizer que a torcida do Treze sente junto. Porque existem pessoas que, de tanto amar uma causa, viram parte dela. Germano foi isso: uma presença constante, um nome lembrado, um exemplo de fidelidade.
Que sua história fique como legado duplo:
para a enfermagem, como alguém que trabalhou e também lutou pela dignidade da profissão;
para o Treze, como um símbolo de amor incondicional ao clube.
Que Deus o tenha, e que o carinho de quem fica ajude a atravessar esta hora dura. Germano se vai, mas deixa rastro — e rastro, quando é de gente boa, vira memória viva. Homenagem de Emir Candeia Gurjão e Fatima Melo Gurjão
