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A SUPERESTIMADA FORÇA DOS PREFEITOS NAS ELEIÇÕES DE 2026

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 O jornalista Gutemberg Cardoso – bem informado através de fontes privilegiadas que circulam nos corredores do Palácio da Redenção – arrisca a fazer previsões ou projeções sobre a corrida eleitoral, com vistas à sucessão do ex-governador João Azevedo. A sucessão já foi consumada, sem passar pelo crivo das urnas. Azevedo renunciou e Lucas Ribeiro (vice) é o novo governador, pré-candidato a reeleição.

Como toda campanha escreve sua própria história, desde a redemocratização Lucas Ribeiro é o segundo vice-governador – no exercício e na titularidade do cargo – a disputar uma reeleição. O primeiro foi Roberto Paulino, que perdeu com poder de caneta e no cargo, apoiado pelo seu antecessor (José Maranhão), Lula, 80% dos prefeitos paraibanos, derrotado por Cássio Cunha Lima numa campanha de dois turnos.

O Estado (2002) estava com os cofres cheios e José Maranhão tinha sua gestão aprovada por 80% da população. O povo elegeu Maranhão para o Senado Federal, mas escolheu Cássio Cunha Lima como governador. Onde errou a coordenação da campanha? Na escolha do marqueteiro. Procuraram Duda Mendonça e outros consultores (medalhões), esquecendo a “prata da casa”.

José Maria de Andrade (Zé Maria da Mix), humilde, despido de vaidade, deixava seu ex-sócio Jurandir vender a imagem de marqueteiro da agência Mix. Jurandir negociava o preço. As ideias eram de Zé.

Cássio Cunha Lima foi candidato pelo PSDB. Quantos prefeitos tinha o PSDB na Paraíba em 2002? Contava-se a dedos. O PMDB tinha diretórios organizados em todos os municípios. Quem não estava no poder, era um forte concorrente vinculado ao PFL e PDT. A sorte “bafejou” Cássio. Wilson Braga e Efraim Morais (pai) romperam com Maranhão, que já havia traído Ney Suassuna, estrela de quinta grandeza no cenário político nacional, candidato imbatível ao governo. Ney saiu magoado. Havia renunciado o Ministério da Integração Nacional, contra a vontade do então presidente FHC.

O desafio de Zé Maria era desconstruir e construir imagens. Paulino seria “marionete” de Zé Maranhão. Não governaria. Cássio Cunha Lima representava a renovação, jovialidade e carisma suficiente para criar “paixão” no eleitor pela causa. Seu histórico de vitórias impossíveis o credenciou para mais este grande desafio. Elegeu Cássio prefeito de Campina Grande em 1998 (o menino de Ronaldo), derrotando Enivaldo Ribeiro, um prefeito em férias. Em 1990 operou o milagre de eleger Ronaldo Cunha Lima governador, derrotando Wilson Braga no segundo turno. Ninguém acreditava mais no PMDB após o fracasso de Sarney e o Plano Cruzado. Em 1994, Lúcia Baga estava aclamada governadora. Zé Maria levou o pleito para o segundo turno, elegendo Antônio Mariz, empreitada matematicamente impossível.

Zé Maria é o campeão de vitórias na Paraíba. No tapetão, tomaram o mandato de Cássio Cunha Lima, reeleito em 2006, que vinha realizando uma gestão sofrível. Conseguiu derrotar José Maranhão, no governo com poder de caneta e dinheiro. Nesta eleição, Gutemberg Cardoso, ao lado do genial jornalista Luís Augusto Crispim, apoiado por Oto Marcelo, convenceram o circunspecto Eduardo Carlos, Supremo Comandante do poderoso Sistema Globo na Paraíba, a divulgar uma pesquisa do IBOPE (terceirizada) véspera das eleições, apontando José Maranhão eleito com uma vantagem de 22% contra o ex-prefeito de João Pessoa, Ricardo Coutinho. William Bonner noticiou: “na Paraíba, não haverá segundo turno”. Com apenas mais oito mil votos, Ricardo teria derrotado Maranhão no primeiro turno. Fica a pergunta: quantos prefeitos apoiaram Ricardo Coutinho? Dos 223, uma dúzia. E Cássio Cunha Lima? Barrado pelo TRE-PB, fazia uma campanha clandestina, pendurado numa liminar. Não vimos nenhum registro de agradecimento a Zé Maria. Heróis oportunistas foram homenageados nas retóricas dos palanques, após vitória. Esqueceram o “carregador de piano” Zé Maria. O milagreiro que levou em 2024 o desconhecido médico Jhonny Bezerra disputar um segundo turno, em Campina Grande, contra o trator Bruno Cunha Lima, herdeiro único do Clã Cunha Lima.

Redação A Palavra

Equipe de jornalismo do A Palavra Online.

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