A reunião ministerial de Lula e a “festa” das pesquisas eleitorais

Publicado em 27 de agosto de 2025

O Presidente Lula reuniu-se ontem com seu gigante ministério, dentre os presentes alguns que talvez sequer saiba seu nome, com agenda marcada para discutir e comemorar os dados positivos das pesquisas realizadas pelo Instituto Genial Quest, contratada pelo governo e veiculada através do consórcio midiático composto pela imprensa tradicional. Os índices mostram crescimento da aprovação de sua gestão e o coloca em primeiro lugar, vencendo quem quer seja seu adversário, nos dois turnos do pleito de 2026.

No primeiro momento do evento, com portas abertas para cobertura da mídia, todos os seus auxiliares com boné azul na cabeça ouviram a repetitiva retórica desafiadora – agora patriota – defendendo a soberania nacional, como se estivéssemos na iminência de ser invadido e ocupado por um país agressor. Vitimando sua gestão e o País, pelos maus tratos recebidos do “imperialista” Donald Trump, presidente da maior superpotência econômica do planeta, pela primeira vez verbalizou que está disposto a negociar com os Estados Unidos, porém de igual para igual. Nada de concessões, principalmente sobre a regulamentação das redes sociais – com pagamento de impostos – das grandes plataformas digitais, Big Tech. Pura bravata.

Para surpresa dos presentes (não petistas), usou diversas vezes o nome de Eduardo Bolsonaro e “rotulou” toda a família dele como traidores da pátria. Não trouxe nada de novo para expor, como, por exemplo, uma ofensiva diplomática capaz de pacificar as relações bilaterais com os Estados Unidos. Esqueceu de mencionar detalhes de seu diálogo com a China e seus companheiros do BRICS, que o abandonaram. Muito menos, se predispôs a rever sua posição em relação a Israel, no momento sem representação diplomática no Brasil – apenas um porta-voz – que reproduziu ainda ontem as duras críticas do ministro da Defesa, dirigidas pessoalmente a Lula, considerando-o antissemita (inimigo do povo judeu). Lula retirou o Brasil em julho último (2025) do IHRA – Aliança Internacional para Memoria do Holocausto – fundada em 1998. Sua alegação foi que a adesão inicial feita pelo governo anterior (Bolsonaro) precisava ser “revista”.

Cometeu o maior de todos os erros da sua trajetória política. Tornou-se inimigo de um povo (judeu) que viu ruir todos os grandes impérios ao longo de sua existência, a partir do Egito e seus faraós. Império romano, otomano, comunismo soviético, fascismo italiano e nazismo alemão. Hoje dominam a economia mundial. Representam apenas 0,2% da população da terra, e detém 32% das riquezas do planeta.

Pediu aos quatro ministros da Frente Progressista – Federação do PP e União Brasil – empenho para convencer a bancada com mais de 100 deputados e 15 senadores nas votações dos projetos prioritários do governo. Poder? Cobrou celeridade para conclusão das obras do PAC e avanços nos programas distributivos como o pé-de-meia, conta de luz, vale gás… Todavia, não forçou a barra. “Mesmo que muitos fiquem contra voces continuarão nos ministérios. Finalizou, ressalvando preocupações com a CPMI do INSS.

Imaginar que Lula desandou como “pato manco”, sem votos, é subestimar sua comprovada capacidade de crescer nas crises, com um forte poder de persuasão, e uma comunicação exitosa, absorvida pelo eleitorado de baixa renda, incluso na faixa de um a dois salários mínimos. Os índices das pesquisas da Genial Quest, diferem totalmente do Paraná Pesquisa, ambas realizadas no mesmo período. Exceto no quesito “ótimo” e “bom”. Os resultados são os mesmos, de janeiro a agosto, apenas com oscilação de 24% para 29%.

Na leitura dos estatísticos, o percentual continua abaixo do índice crítico de 33%. Um candidato só alcança o segundo turno com no mínimo 33%, e fortes concorrentes no mesmo patamar. Esta é a tese defendida por Ronaldo Caiado, que sugere três candidaturas da direita. Nada de “mano a mano”, que só contribui para aumentar a abstenção, nulos e brancos. Contra Lula, além de Bolsonaro e a direita conservadora, ainda resta o pouco tempo, para estancar ou reduzir em seu favor a polarização e o recuo de seu forte aliado, STF, represando 922 milhões de emendas parlamentares, suspensas e não pagas.

Fonte: Da Redação (Por Júnior Gurgel)