A MA0 QUE NUNCA ERRA (Por Vinicius Marinho)

Publicado em 20 de abril de 2026

O Brasil sempre foi conhecido pelos pés.
Mas houve um homem que nos ensinou a sonhar com as mãos.

Oscar Schmidt não jogava apenas basquete. Ele escrevia história em forma de arremesso. Cada bola que saía de suas mãos parecia já saber o destino. Não era sorte. Nunca foi. Era treinamento e convicção.

Enquanto o mundo olhava para a NBA, ele escolheu outro caminho. Escolheu o Brasil. Escolheu vestir a camisa como quem veste uma missão. E, nessa escolha, construiu algo maior do que qualquer contrato. Construiu identidade.

Oscar não era só um jogador. Era resistência. Era o tipo de atleta que não precisava de holofotes estrangeiros para brilhar. Ele era o próprio sol.

Foram milhares de pontos, incontáveis jogos, décadas de dedicação. Mas reduzir Oscar a números é quase uma injustiça. Porque o que ele entregava não cabia em estatísticas.

Cabia no peito de quem assistia.
Cabia no silêncio antes do arremesso.
Cabia no grito depois da cesta.
Cabia no orgulho de um país inteiro.

Teve um dia em que ele enfrentou gigantes e venceu. Não sozinho, mas como símbolo. Como líder. Como alguém que nunca aceitou o impossível como resposta. E talvez esse seja seu maior legado.

Oscar ensinou que talento é importante, mas coragem é indispensável. Que grandeza não está onde se joga, mas em como se joga. E que amar o que se faz pode transformar qualquer quadra em território sagrado.

Nessa sexta-feira (17), o jogo parou por um instante.
A bola quicou mais devagar.
O silêncio tomou conta das arquibancadas invisíveis da memória.

Mas a verdade é que jogadores como Oscar não vão embora.
Eles ficam.
No eco das quadras.
Na inspiração dos que ainda vão jogar.
Na certeza de que, em algum lugar do tempo, existe uma bola subindo em câmera lenta e caindo limpa na cesta.

Como sempre foi.
Porque algumas mãos nunca erram.

20/04/2026 – Vinicius Marinho

Fonte: Da Redação (Por Vinicius Marinho Vidal de Negreiros)