
Júnior Gurgel
Jornalista político, memorialista e Ghost writer. Ex- diretor de Jornais e Emissoras de Rádio na Paraíba, com atuações no Radiojornalismo.
A FRAUDE DAS PESQUISAS E A REALIDADE EXPOSTA NAS REDES SOCIAIS
Publicado em 30 de outubro de 2025Segunda e terça feira, desta semana ainda em curso (27 e 28/10/2025), dois eventos distintos desqualificaram por completo o valor real das pesquisas, como bússola que orienta a classe política e capta reações de comoções da população frente a acontecimentos trágicos, imprevisíveis ou extemporâneos.
Na segunda-feira à noite o CEO do Instituto Atlas Intel, estatístico Andrei Roman, convidado para integrar uma roda de debate do programa WW com William Waack, exibido pela CNN Brasil, caiu numa armadilha. O tema foi a surpreendente vitória do presidente da Argentina Javier Milei, nas eleições parlamentares de domingo 26.10.2024. Amostragens realizadas pelo Atlas Intel 72 horas antes do pleito mostraram as esquerdas (Peronistas), mesmo divididas, saindo triunfante das urnas.
O resultado foi absurdamente inverso. Arriscando uma margem de erro – fora dos padrões adotados – esticada em 5%, para mais ou para menos, após apuração dos votos o inexplicável desacerto atingiu 10%, acima da margem de 5%, com uma vitória estrondosa da direita e centro direita, captando 62% dos votos válidos, deixando as esquerdas com 38%. O menor índice histórico desde os tempos de Juan Domingo Perón.
Andrei Roman, tentando explicar o inexplicável, não respondeu às perguntas. Comportando-se como um “Cientista Político”, ensaiou uma análise conjuntural ininteligível sobre os movimentos das esquerdas da América Latina, culpando Donald Trump, e prevendo o futuro de Javier Milei, apontando sua derrota na corrida presidencial de 2027 com a volta do Peronismo ao poder (?). Esqueceu de levar e mostrar ao público telespectador sua “bola de cristal”.
Como a “dor de cotovelos” era coletiva – todos são alinhados ideologicamente – pouparam Andrei Roman de responder a oportuna pergunta, sobre sua última pesquisa realizada no Brasil – cerca de 15 dias – apontando o favoritismo do presidente Lula, se reelegendo e vencendo qualquer que seja seu adversário, em todos os cenários, no primeiro e segundo turno. Se o método for o “Argentino”, a direita já pode comemorar.
Dia seguinte, terça-feira 28/10/2025, cumprindo determinações da Justiça, as Forças Policiais do Rio de Janeiro montaram uma mega operação para prender os 100 maiores latrocidas do Estado, e realizarem busca e apreensão de outros 150 envolvidos e suspeitos de integrarem a temida organização criminosa Comando Vermelho, entrincheirada em Bunkers inacessíveis instalados no “Complexo do Alemão”.
O enfrentamento culminou com 121 mortos, 117 civis e 04 policiais. Prisão de 130 traficantes e 111 fuzis. No momento mais intenso do combate, o Comando Vermelho utilizou Drones, lançando bombas contra os veículos blindados da PM, em áreas onde se protegiam as tropas. A imagem chocante de corpos sendo enfileirados e cobertos na rua por moradores do local era acompanhada por pequena multidão – curiosa em checar os fuzilados – seus algozes do quotidiano. Não houve choro, protestos ou clamores de parentes e familiares. Eles já os haviam perdido para o crime há anos.
Em entrevista concedida a mídia, por Renato Dolci, diretor do Analytics Timeline que acompanha movimento das redes sociais, surpreso, destacou um recorde de interação opinativa instantânea. Aprovaram a PM e o governador Cláudio Castro 62% dos internautas. Desaprovam ou consideraram exagero, 32%. Confessaram medo e não se manifestaram, 6%. 81% dos comentários: “bandido bom é bandido morto”, slogan de Bolsonaro em 2018. Pedem pena de morte e prisão perpetua. Na contra mão dos anseios populares, Governo e Congresso aminham para o infortúnio em 2026.
