Valberto José

Jornalista, habilitado pelo curso de Comunicação Social da Universidade Regional do Nordeste (URNE), hoje UEPB. Colunista esportivo da Gazeta do Sertão e d’A Palavra, passou pelo Diário da Borborema e Jornal da Paraíba; foi comerciante do setor de carnes, fazendo uma pausa de 18 anos no jornalismo.

A correção elegante de Gilson Souto Maior

Publicado em 4 de novembro de 2025

A impressão da apostila em PDF com quase 70 páginas se constituiu em rara oportunidade de um colóquio nostálgico entre mim e o operador da máquina. Num estalo, o tema da conversa derivou para o rádio campinense, relembrando programas e comerciais marcantes e profissionais de destaques até os anos 90, ativando-me a memória ao contar a reação do narrador de um bingo diante da pronúncia confusa do colega.

A menção a Gilson Souto Maior me fez recordar que perdi a aura de tê-lo como professor no Curso de Comunicação Social da URNE, a hoje UEPB. E ainda que no mês de outubro se completaram 40 anos da colação de grau da primeira turma de formandos de 1985 (a segunda turma, em consequências de greves, teve a formatura em 86), da qual fui um dos concluintes.

Não recordo a cadeira que Gilson Souto Maior lecionava. O certo é que eu e outros colegas já viviamos a expectativa de suas aulas, quando veio a notícia de que ele deixaria o curso. Trocou a universidade pela assessoria de comunicação da Telpa, à época empresa telefônica do Sistema Telebrás. Em entrevista a Kubi Pinheiro, confirma um afastamento temporário.

Não consigo lembrar quando a conversa com Zé Nunes sintonizou o rádio daquele tempo, mas senti seu interesse intenso quando cantarolei o jingle da Codesa. Foi a senha que abriu seu baú de reminiscências radiofônicas, iniciando um colóquio fácil sobre programas de rádio que lhe marcaram, comerciais inesquecíveis e apresentadores que ainda recheiam nossa memória afetiva.

As narrações de Joselito Lucena e Paulo Roberto, os comentários esportivos de Humberto de Campos e Chico de Assis (Olé). Ainda programas regionais de Rosil Cavalcanti (Forró de Zé Lagoa e Retalhos do Sertão, com outros apresentadores), Zé Bezerra e o seu “Bom dia, Nordeste” e Evandro Barros em “Contos que a noite conta”, desfilaram na nossa interação momentânea.

Mas o que realmente deixou Nunes vibrante na intensidade de sua recordação foi a reação de Gilson Souto Maior quando da narração de um bingo em Patos, no Estádio José Cavalcante, conforme lhe contara um amigo mais atento.

O locutor que o antecedera pronunciou cautela em vez de cartela. “Marquem suas cartelas com muita cautela para não passarem batido”, disse Gilson após pegar o microfone e antes de iniciar o chamamento do bingo, numa correção elegante, que, mesmo contada por outro, ainda fascina o Zé Nunes.