
Júnior Gurgel
Jornalista político, memorialista e Ghost writer. Ex- diretor de Jornais e Emissoras de Rádio na Paraíba, com atuações no Radiojornalismo.
HÁ OITO ANOS NEY SUASSUNA CHEGAVA A PARAÍBA E SEM ALARDES VIROU A CAMPANHA PARA O SENADO ELEGENDO VENEZIANO SENADOR DA REPÚBLICA.
Publicado em 19 de setembro de 2026Hoje (19/09/2026) completa exatamente oito anos que Ney Suassuna desembarcou solitariamente no Aeroporto Castro Pinto, em João Pessoa – sendo aguardado apenas pelo seu fiel escudeiro Miduca – imbuído no propósito de enfrentar um dos maiores desafios da história de sua trajetória política no Estado: eleger o deputado federal Veneziano Vital do Rêgo Senador da República, que já sem fôlego ocupava o quarto lugar na maratona eleitoral de 2018.
O então governador Ricardo Coutinho havia elaborado a mais perfeita estratégia para consolidar sua posição como maior líder isolado do Estado. Abdicou de um mandato de Senador, em nome de seu projeto solo. Não dividiria o poder com ninguém. Permaneceu no governo, para eleger seu auxiliar técnico, Secretário João Azevedo, o único que só amarrava o burro onde ele mandasse. Essa confiança inabalável foi conquistada por João Azevedo ao longo de quatorze anos. Ricardo permaneceria governando e João seria uma figura decorativa, posando de governador no Palácio da Redenção. Sua tarefa seria executar atos impopulares, arcar com o ônus de suas decisões; enfrentar as exigências do Parlamento, que ao sentir-se acuado procuraria Ricardo (na sombra) para resolver politicamente todos os contenciosos. João seria o governador das solenidades.
Para seu infortúnio, Coutinho nos parece que desprezava a história. Quem sempre traiu foram os mais próximos. Bajuladores, servilistas, cortesãos insuspeitos, que passam a conhecer em profundidade as fragilidades do seu senhor. Para tomar o poder, bastava aliar-se a seus inimigos.
Nas eleições de 2018, Ricardo Coutinho – que já havia vencido em 2014 o “mito” Cássio Cunha Lima – defenestraria da vida pública, com derrotas humilhantes, todas as demais oligarquias tradicionais da política paraibana. O Clã Cunha Lima, Regos e Ribeiros e José Maranhão. Tamanha ousadia, num eventual fracasso, teria como custo sua própria cabeça. Parafraseando Nélson Rodrigues, “toda unanimidade é burra”. E citava como exemplo a queda do Império Romano.
A chegada sorrateira de Ney Suassuna (19/09/2026) mudou tudo. Do aeroporto foi direto para o Cartório Eleitoral, ocasião que trocaram o primeiro suplente de Veneziano. Algo que poderia ter sido questionado pelo MPE e oposição. Mas, como a mídia noticiou o acontecimento em nota de rodapé, passou despercebido pelos concorrentes. A árdua tarefa de Ney era conquistar em apenas 15 dias 350 mil votos para Veneziano. Não importa de onde viessem. Esquivou-se de conceder entrevistas. Recluso na Fazenda Campo de Boi, e em casas de amigos, quatro telefones convidavam lideranças para uma conversa. Ninguém se recusou a ir visitá-lo e após diálogos rápidos mudarem seus votos. Ficaram estritamente proibidos de divulgarem suas adesões. O silêncio vale ouro.
O objetivo de Ney era abocanhar o segundo voto, quer seja de Cássio, Daniella Ribeiro ou Luís Couto, candidato de Ricardo Coutinho. Nos redutos mais distantes, tomou até o voto de Luís Couto. Daniella Ribeiro fez seu papel, brigando apenas pelo seu voto. Nos bastidores, Aguinaldo passou a interagir com Ney. Redutos que Cássio não “cumpria” Ney chegava lá, com Veneziano. Onde Luis Couto era a segunda opção, Ney entrou também com Veneziano. Em duas semanas, os últimos foram os primeiros. Curiosamente, a história pode ser repetida agora em 2026.
Veneziano abandonou Ney e ignorou seu histórico de vitórias na Paraíba. Passou oito anos no Senado e o manteve distante do Estado. A arrancada de 19 de setembro de 2018 converteu-se na derrapada do Cabeludo nas últimas 24 horas. Todos estão abandonando seu barco. Perdeu o Vale do Piancó, sua segunda suplente e a primeira foi impedida pela Justiça Eleitoral. Abraçado com Cícero Lucena, se afogarão juntos. Cícero, para dar um palanque a Veneziano, optou por perder “besta e chocalho”. Quanto ao Cabeludo, prematuramente encerrará sua trajetória política em 04/10/2026.
Nomear culpados? Os erros de Veneziano não foram do seu marketing político, nem do pequeno núcleo de jornalistas que se agigantaram em modelar sua imagem. Ele foi quem escorregou nos bicos finos de seus próprios sapatos (altos). Das centenas de seguidores que o levaram a PMCG, hoje ele não conta, em cinco dedos, aqueles que ainda estão ao seu lado. Quem o levou ao Senado da República recebeu um coice de mula. Segundo Ney, nos últimos seis anos ligou centenas de vezes para Veneziano, e nunca foi atendido. Deixou recados e não obteve respostas. Partiu para a correspondência (cartas), e nenhuma foi respondida.
Na política, o poder de articulação é uma arte rara. Fazendo uma analogia ao futebol, o time vencedor sempre tem o melhor meio de campo. Desarma, arma e deixa o centroavante na cara do gol. Ney nunca foi um bom centroavante. Mas, um exímio e insuperável meio-campo, nas disputas paraibanas desde 1990.
