Marcos Marinho

Jornalista, radialista, fundador do ‘Jornal da Paraíba’, ‘Gazeta do Sertão’ e ‘A Palavra’, exerceu a profissão em São Paulo e Brasília; Na Câmara Federal Chefiou o Gabinete de Raymundo Asfóra e em Campina Grande já exerceu o mandato de Vereador.

Conflito pessoal de agenda.

Publicado em 25 de agosto de 2026

Pensei até ontem que eu estivesse me preparado muitíssimo bem para enfrentar a velhice…

Em uma crônica que escrevi na chegada dos 70 anos, até cheguei a revelar meu especial contentamento pela alegria de poder ser identificado pelos confrades da profissão como DECANO da nossa imprensa, elegante e raro qualificativo que deu maior brilho no fim da vida a luminares como Bióca e Epitácio Soares, por exemplo, para ficarmos na Borborema apenas com essas duas saudosas cabeças da arte de escrever e bem informar.

Ledo engano esse meu!

Vivo hoje em um constante conflito pessoal de agenda e já nem sei se isso é bom ou ruim…

Esse recente último final de semana me pôs à prova e a pensar!

Porque a um só tempo precisei me fatiar – melhor seria dizer SER FATIADO – em múltiplos seres, enfrentando a realidade da velhice com a necessidade humana de estampar juventude.

Não cheguei ainda a lamentar – como aqui e acolá fazem Tião Lucena e Vavá da Luz – a natural inoperância de bem vividos “gloriosos” órgãos do corpo que agora dormem bem mais do que o nosso ingênuo sonho em revivê-los fortes e erguidos…

Mas é imprescindível registrar: a velhice me alcançou e só deve mesmo me largar na tumba do Monte Santo.

E a mim restando conviver com ela harmoniosamente, óbvio que na medida do que vier a ser possível. Mesmo porque melhor alternativa não existe e não haverá mais de chegar.

Neste sábado, após uma corrida sexta feira em que este ancião precisou entrar umas dez vezes em supermercado, ir à feira central três ou quatro vezes (numa delas em busca de flores belíssimas), levar mulher, filhas e netas outra meia dúzia de vezes a salões de beleza, precisei cair do “berço” assim que o Sol nasceu para a tempo pegar Dona Gorete, Dona Armenia e Dona Maelia em suas casas e levá-las ao III ETIC (Encontro da Terceira Idade com Cristo) da nossa Paróquia do Sagrado Coração de Jesus, fantástico movimento que não rejuvenesceu apenas os 90 idosos inscritos como essas nossas afilhadas, mas também a todos nós os 290 fiéis pastorais chamados a servi-los.

E deu-se aí, inevitavelmente, um conflito forte (mortal mesmo) de agenda!

Meu netinho número 16, xodó atual da família enquanto os dois bisnetos não saem do ventre das mães para mais dar movimento à já conturbada agenda do vovô incansável, completara o seu primeiro aninho de vida e a festa, como todas as mamães do mundo acham justo fazer, teve que ser de arromba… Mesmo depois de os agora inventados MESVERSÁRIO terem sido religiosamente festejados (de festa mesmo!!!) em todos os 11 antecedentes meses, para (snif…snif…snif) maior empobrecimento dos meus permanentes esvaziados bolsos, o que realmente não vale nada diante da imensidão de alegrias produzidas em nosso derredor.

Tive de conciliar a agenda do ETIC com a do Heitorzinho no sábado… E deu tudo certo, descontado o cansaço aqui do velhinho. Que ainda aproveitou a noite do parabéns para encorpar nas enrugadas entranhas uns oito a dez copos de geladíssimo chopp que inventaram lá de disponibilizar para os adultos (velhos também) junto com o guaraná da meninada.

O domingão 23 de agosto chegou faceiro. Dia do aniversário de Felipe e de Petra, dois dos meus nove rebentos que nasceram na mesma data com, obviamente, 365 dias de diferença de um pro outro, e ambos receberam parabéns antecipados na festa do neto caçulinha. Petra e o marido voltaram ainda noite para João Pessoa, onde moram, porque as geminhas deles, Ana Laura e Maria Helena, estavam febris e nada melhor que o aconchego do bercinho delas para o arremedo de sono. Já o Felipe, único abstêmio de toda a minha prole, pegou a estrada de volta a Capital das Acácias tão logo eu abri o portão cedinho para ir pegar as “meninas” da Igreja e deixá-las na APAE para a alegria do segundo dia do maravilhoso ETIC.

Essa movimentação toda nos deu o “desprazer” de não festejar em nossa casa, como há anos fazíamos, a chegada de mais um ano na vida deles dois, que em Jampa já fizeram nova relação de amigos e com eles bateram merecidas palmas.

O agitado final de semana não se acalmou com o restante do domingo, complementado não somente com a comunhão na missa que padre Marcio celebrou para os que faziam o ETIC, como as nossas lindas afilhadas, ou como nós que trabalhamos acolhendo todos os 90 queridos idosos que buscavam ajuda para o abraço no Pai.

Já noite, a graça de Deus me garantiu disposição de atleta para cruzar Campina Grande e lá, no outro lado distante da cidade, no lar-doce-lar da sogra do meu neto Matheus, comungar da alegria dele ao descobrirmos que meu segundo bisneto é do cordão azul: um HOMEM, como já ali nos levou às lágrimas.

E, enfim, seguir a vida que hoje tenho: cuidar dos netos, dos bisnetos e continuar “motorista” de todos, que sai mais econômico que pagar UBER para essa incrível e maravilhosa tropa a quem Deus tem dado a feliz chance de correr o mundo agora com o bastão representativo da quinta geração dos Marinhos que Seu Ovidio e Dona Virgilia tanto souberam honrar.

EM TEMPO: é bom demais ser um velho assim como eu!!!