Júnior Gurgel

Jornalista político, memorialista e Ghost writer. Ex- diretor de Jornais e Emissoras de Rádio na Paraíba, com atuações no Radiojornalismo.

LUTA DAS DUAS VAGAS PARA O SENADO NA PARAÍBA FORTALECE MARCELO QUEIROGA

Publicado em 18 de agosto de 2026

O espaço das esquerdas, com cinco candidatos na disputa pelas duas vagas no Senado Federal, está ficando cada dia mais espremido e criando perspectivas para Marcelo Queiroga conquistar uma delas. O “Lulismo” dificilmente alcançará 60% dos votos válidos no Estado. Neste espaço, serão votados pelo alinhamento ideológico Veneziano Vital do Rêgo, ex-governador João Azevedo; Nabor Wanderley e André Gadelha. Quem atingir 30% deixará os demais na poeira.

Como previu Ricardo Coutinho, a campanha de Nabor Wanderley será uma “Blitzkrieg” com duração de quarenta dias. Varrerá todo o Estado, atacando e destruindo todas as estruturas de defesa ou redutos dos seus principais concorrentes, ironicamente dentro do seu próprio “espectro político”. Será votado como primeira opção em 171 municípios (até o momento) e conquistará a segunda opção de João Azevedo, Veneziano Vital do Rêgo e André Gadelha. Esbarra apenas numa barreira impenetrável, o Bolsonarismo, a direita conservadora e os Cristãos Patriotas.

O apoio do prefeito da Capital, Léo Bezerra (confirmado ontem), levando consigo 23 dos 29 vereadores com assento na Casa Napoleão Laurentino, desfalcou dezenas de milhares de votos que seriam destinados a João Azevedo e Veneziano Vital do Rêgo. Outro aspecto não abordado pela crônica política são os eleitores da direita. Marcelo Queiroga obteve, há dois anos, 146,129 mil votos, em tese, absolutamente preservados. A forte militância de Cabo Gilberto, Nilvan Ferreira, Walber Virgulino e uma provável ação decisiva na reta final do Pastor Sérgio Queiroz, pode surpreender o resultado e Queiroga – único candidato da direita – chegar em primeiro lugar em João Pessoa, com efeitos colaterais em toda a região metropolitana, como Cabedelo, Santa Rita, Bayeux.

Em Campina Grande, Veneziano Vital do Rêgo tem o apoio (primeiro voto) do prefeito Bruno Cunha Lima. Honrou seu compromisso, pelo apoio a Pedro Cunha Lima no segundo turno de 2022. O segundo voto seria de Nabor Wanderley. Mas, ao escolher Daniella Ribeiro como sua primeira suplente e ser candidato de Lula, perde automaticamente o apoio de Bruno. Se Bruno subir num palanque da esquerda, ao lado de Daniella Ribeiro, sua principal adversária no plano local, será abandonado pelo seu fiel eleitor da direita. O gesto representará uma despedida precoce da vida pública, e o fim do Clã Cunha Lima na Rainha da Borborema.

Os eleitores da direita – com base nas eleições passadas – representam no mínimo 40% dos votantes, que indiscutivelmente irão às urnas. A abstenção nunca foi da oposição. Sempre é creditada ao governo ou situação. No segundo turno de 2010, Maranhão perdeu para a abstenção. Foram mais de 700 mil votos no segundo turno. A oposição foi por inteira às cabines eleitorais.

Nas chapas majoritárias, três candidatos ainda têm espaço para crescerem junto aos indecisos, nulos e brancos. Marcelo Queiroga, Nabor Wanderley e Cícero Lucena – se conseguir manter-se em cima do muro – posição que requer equilíbrio e habilidade. João Azevedo e Veneziano, candidatos e em campanha há quatro anos, atingiram o teto. Lucas fugindo dos debates comete um erro crasso. A Paraíba não o conhece. A oportunidade de avaliar sua capacidade seria através do confronto entre seus concorrentes. Se o PT reagir e começar a subir nas pesquisas, puxará Lucas. Porém, caso ocorra o inverso, ele será mais um náufrago do grande Titanic.