
Júnior Gurgel
Jornalista político, memorialista e Ghost writer. Ex- diretor de Jornais e Emissoras de Rádio na Paraíba, com atuações no Radiojornalismo.
AGUINALDO CONTINUA TENTANDO RACHAR O REPUBLICANOS
Publicado em 8 de agosto de 2026Após a escolha (precipitada e ou proposital) do deputado estadual Eduardo Carneiro para ocupar o posto de vice do atual governador Lucas Ribeiro – candidato a reeleição – o “mestre” prestidigitador, hábil em manipulações nas manobras de bastidores, deputado federal Aguinaldo Ribeiro, cometeu um erro crasso que dificulta a largada da campanha palaciana, preparada para uma vitória em 04/10/2026. Doravante, terá que suar a camisa, para chegar ao segundo turno.
Quatro deslizes subsequentes – ocorridos nas últimas 48 horas – desestabilizaram a harmonia até então existente na pré-campanha de Lucas Ribeiro. O clima eufórico do “já ganhou” entrou num estágio de arrefecimento. O veto à postulação de Adriano Galdino; interferência do PT nacional, ameaçando deixar o palanque e impondo a retirada do deputado Eduardo Carneiro; a longa conversa de Aguinaldo com Wilson Santiago, e o primeiro debate nas mídias digitais, com amplo alcance em todo o Estado, revelou que os adversários do governo elaboraram estratégias inteligentes para cercá-lo. O inimigo comum de Efraim e Cícero será Lucas e João Azevedo.
Na visão (talvez hoje equivocada) de Aguinaldo Ribeiro a vitória de Lucas é jogo jogado. Estando sempre dois passos à frente de seus concorrentes, o alvo do momento do líder progressista é atacar o Republicanos, dividindo-o para assumir o controle da Assembleia Legislativa. Adriano Galdino bem que poderia ter sido escolhido vice. Mas, o preço do pedágio era abdicar de suas bases e passá-las para o comando do PP. Cerca de 60 mil votos. O argumento (manhoso) de Aguinaldo era atrair outros partidos e novos candidatos que se elegeriam com os votos de Galdino. Qual a serventia e o futuro de um general sem tropas? Apenas a patente e as medalhas? Galdino recusou. Na atual conjuntura, é impossível governar a Paraíba sem o apoio do Republicanos. Para o pleito de outubro próximo a legenda lançou 20 candidatos, com expectativas de eleger entre 11 e 12. Quem tem 1/3 dos assentos da Casa Epitácio Pessoa governa o Estado. Imaginem os efeitos e estragos provocados pela CPI do Padre Zé, abortada por Galdino? Se ele a tivesse instalado, até hoje o governo tentaria juntar sem sucesso cacos de cristais quebrados.
Persistente, Aguinaldo Ribeiro partiu para um novo ataque (ontem, 07/08/2026). Abordou Wilson Santiago. “O melhor nome para vice de Lucas, é Wilson Filho”, Apelando para contemporaneidade, enfatizou que são jovens e seus sucessores. Representam o futuro da Paraíba. Apenas ouvindo, Santiago sabia o propósito da abordagem. Wilson Filho teria que abrir mão de suas bases para o PP, que poderia alcançar 10 ou 11 deputados, reduzindo a bancada do Republicanos. Na posição de decano da legenda na Paraíba, Santiago em sua resposta foi sincero. “Por que você não deixa Lucas escolher o seu vice? Escute ele e indague qual é o nome de sua preferência”. Confessou suas experiências de conviver “forçado” ao lado de quem não interage. É constrangedor, a partir do silêncio que lhes é imposto. Não tem voz, vez, nem pode sugerir ou opinar. A união só aparece na foto oficial. Recusou a proposta de Aguinaldo e ainda destacou que o Republicanos hoje tem maturidade para sobreviver a quaisquer crises.
No primeiro debate entre os três candidatos ao Governo do Estado, promovido ontem a partir das 22:00hs. pelas mídias digitais, Márcio Rangel e Fabiano Gomes foram retransmitidos por mais de 30 emissoras de rádio, e acompanhados no Instagram, Facebook e YouTube. As canhoneiras de Cícero Lucena e Efraim Morais alvejaram Lucas Ribeiro, que nos surpreendeu com sua resistência. Porém, foi o mais atingido, com perguntas inteligentes e difíceis de serem respondidas. Na área de segurança pública; saúde; infraestrutura, tergiversou.
Ao destacar o equilíbrio fiscal, não teve resposta para justificar que com 4,0 bilhões em caixa o governo deixa o povo com sede. Dezesseis anos de obras inacabadas; solenidades para assinaturas de contratação para elaboração de projetos para futuras obras; o penúltimo Estado da Federação que remunera mal a Polícia Militar; Campina Grande ficou fora do projeto de expansão de sua rede de esgotos sanitários, após o leilão da CAGEPA. Fazendo uma analogia ao Vôlei, Efraim levantava a bola, Cícero cortava e vice-versa. Se Aguinaldo quiser eleger seu sobrinho, sua maior contribuição será não atrapalhar. Não esqueça Abraham Lincoln: “você consegue enganar um o tempo todo; alguns por algum tempo, mas nunca todos por todo o tempo. Melancia grande não se come só.