
Júnior Gurgel
Jornalista político, memorialista e Ghost writer. Ex- diretor de Jornais e Emissoras de Rádio na Paraíba, com atuações no Radiojornalismo.
ALGOZES DE ADRIANO GALDINO, AGUINALDO RIBEIRO E JOÃO AZEVEDO TENTAM TIRÁ-LO DA VIDA PÚBLICA
Publicado em 6 de agosto de 2026A convenção para homologar a postulação do governador Lucas Ribeiro, candidato à reeleição, se transformou no maior evento político dos últimos tempos na Capital do Estado, cujo propósito midiático seria mostrar força no início de uma caminhada com vistas a uma vitória em primeiro turno. Para o infortúnio de Lucas, um racha de última hora mudou totalmente o cenário, destroçando uma ambiciosa conjuntura de favorabilidade, transformando-a numa perspectivas de derrota no segundo turno. O encontro foi gigante – superando o de Efraim que surpreendeu a Paraíba – demonstrando prestígio do seu palanque com a presença de Flávio Bolsonaro e vídeo de Michele, dirigindo-se ao candidato ao Senado, Marcelo Queiroga, e levantando o PL Mulher. O jornalista Gutemberg Cardoso, que cobriu o evento e teve acesso aos bastidores, em seu comentário no Instagram, não escondeu espanto ao observar a direita unida, organizada, vibrante e voluntária, que lotou o ambiente e deixou ainda uma multidão fora do recinto.
Gutemberg Cardoso passou a considerar amplas probabilidades de Efraim chegar ao segundo turno, mesmo não prevendo o quebra-pau ocorrido na granja Santana (ontem 05/08/2026) e seus desdobramentos futuros. Em número de participantes, a convenção de Lucas superou as demais. E não podia ser diferente. Vieram comitivas de todos os 223 municípios, 80% mobilizados pelas bases do partido Republicanos, para aclamarem Nabor Wanderley e Adriano Galdino, como candidatos ao Senado Federal e vice-governador. A frustração foi geral. Aguinaldo Ribeiro mudou a composição da chapa nos minutos da prorrogação. Impôs sua irmã, senadora Daniella Ribeiro, como suplente de Nabor e deu um “canto de carroceria” em Adriano e Wilson Filho.
Desde 2022, Adriano Galdino foi escolhido pelo deputado federal Aguinaldo Ribeiro como seu alvo preferido para ser abatido politicamente, por considerá-lo um obstáculo intransponível que atrapalha seu projeto político pessoal, de sentar na cadeira do Palácio da Redenção. Repetiu-se ontem a manobra de 2022. O vice de João Azevedo, e quem estaria na cadeira do Palácio da Redenção disputando a reeleição, seria Adriano e não Lucas Ribeiro. Galdino engoliu o sapo.
O improviso da convenção de ontem deixou sequelas para o PP, ala expressiva do Republicano de Galdino e Wilson Filho, PSB e PDT. Em todos os recantos do Espaço Cultural não foi visto uma única faixa de “Lula Presidente”. Fato semelhante aconteceu na convenção de Cícero Lucena. Nem o “Senador de Lula”, Veneziano Vital do Rêgo, pediu voto para o petista.
Para quem acompanhou no YouTube a chegada de Lucas e sua comitiva – infringindo o horário determinado pela Justiça Eleitoral – das 08:00hs até as 17hs, iniciou-se uma interpretação fora do “script”, fugindo do roteiro estabelecido pelo Marketing da campanha. Lucas foi o primeiro a falar, quando deveria ser o último. Passou o microfone para João Azevedo, em seguida para Nabor Wanderley – que demonstrou possuir humildade e habilidade desconhecida até então pelo Estado – ao pedir o primeiro voto para João Azevedo, em seguida para si, como seu companheiro de chapa, ou segunda opção. Não se referiu a seu filho Hugo Motta, Presidente da Câmara dos Deputados, terceiro na linha sucessória do Poder Executivo. Muito menos lembrou que tem uma filha candidata a Deputada Estadual. Ao passar o microfone para a senadora Daniella Ribeiro – que acompanhou a festividade – não reconheceu a jovem mulher de oito anos atrás, sorridente, light, que ao invés de discursar conversava e interagia com o público, usando sua carismática simplicidade.
Daniella destacou diversas vezes as virtudes “divinas” de seu irmão Aguinaldo Ribeiro. Repetiu por mais de uma vez que seu primeiro voto seria para o Senador Nabor Wanderley. E ao encerrar, ensaiou uma oração ecumênica. Cortes das câmeras mostraram o desconforto de João Azevedo, que contra tudo e todos pôs seu filho em seu lugar. A orquestra tinha desafinado. Era hora de parar. Mas, para completar o desarranjo, devolveram o microfone a Lucas (?). E mandado por alguém gritou diversas vezes que Lula era o maior Presidente do Brasil. Pediu ao povo para fazer os dois “L” – Lula e Lucas. O gesto foi feito por poucos. Como ele convencerá seu eleitorado evangélico que abomina as pautas das esquerdas, a partir do LGBTQIA+, aborto, descriminalização das drogas e o divisionista racismo cultural? Todos são filhos de Deus!
Depois de Daniella enaltecer a importância da família Ribeiro para os destinos da Paraíba, ousadia que nem os Cunha Lima em seu apogeu teve tamanho arrojo, Lucas ao pedir votos para Lula esqueceu que seu provável vice Eduardo Carneiro foi bolsonarista de carteirinha em 2022.

