Valberto José

Jornalista, habilitado pelo curso de Comunicação Social da Universidade Regional do Nordeste (URNE), hoje UEPB. Colunista esportivo da Gazeta do Sertão e d’A Palavra, passou pelo Diário da Borborema e Jornal da Paraíba; foi comerciante do setor de carnes, fazendo uma pausa de 18 anos no jornalismo.

O olhar insistente da minha netinha

Publicado em 30 de julho de 2026

Sem qualquer planejamento comemorativo, apenas com um “venham, filha, tomar o café da manhã com a gente”, vivenciamos o Dia dos Avós no sábado, e não no domingo, como programava o calendário deste ano. Além do desjejum matinal, almoçamos, juntos, também. Confesso que estava com saudade do contato direto com os meus netos, da presença física deles no nosso próprio teto.

Nos sete meses de 2026, filha e família estiveram apenas uma ou duas vezes na nossa casa. Sem incompatibilidade nenhuma, apenas necessidade de permanecer no seu lar. Maria Clara, claro, foi a causa. E causa boa. Ela veio ao mundo nos primeiros dias de janeiro, formando o trio de nossa segunda descendência, junto a Miguel e José. Morgana precisou da assistência diária da mamãe.

Desde então, após o nosso treino na academia, passei a levar a encantada vovó para ajudar no apoio à parturiente e nos cuidados à recém-nascida. Eu chegava à casa da filha por volta das 11h e a buscava após as 19h. Quando Maria Clara completou o sexto mês de vida, Margarida iniciou o desmame da assistência avoenga. “Maria ficou três meses com Isabel e eu, seis com você”, justificou, já preparando a mamãe de três.

Nem sempre podemos receber a visita do trio; exemplificando, no nosso serviço de hospedagem pet, se houver quatro hóspedes ou mais, fica inviável a presença deles. Na sexta-feira, apenas com um cliente comportado e sem perspectiva nenhuma de reserva, fiz o convite, reforçado pela repentinamente ansiosa avó. A confirmação da vinda, nas primeiras horas da manhã seguinte, já nos deixou felizes.

Antes da chegada deles, tomo algumas providências no sentido de amenizar a bagunça que farão, como deixar o notebook fora do alcance de cada um. Ocupado nos asseios matinais, não pude abrir o portão e receber a comitiva na calçada, como de costume, além de ajudar na retirada da bagagem e conduzir os meninos em direção ao interior da vivenda.

Quando fui saindo do quarto, Miguel, o primogênito de quatro anos, já avançava no diminuto corredor que interliga os cômodos da casa. Ao me ver, foi logo estirando a mão pedindo a bênção e me abraçando; José, embora sorrindo, demonstrava certo agastamento, logo passado, e Maria Clara foi se derretendo em sorrisos. Num instante, tomaram conta da casa e devoraram o café da manhã.

Aliás, foi marcante o jeito da netinha me olhar, na sua insistência teimosa, como a pedir “me olhe, me olhe, eu estou aqui, abrindo um largo sorriso quando correspondida. Por várias vezes a flagrei, nos braços da mãe ou da avó, nesse enlevo inocente.