Vanderley de Brito

Historiador, arqueólogo, genealogista e atualmente é presidente do Instituto Histórico de Campina Grande (IHCG).

Grata surpresa

Publicado em 26 de junho de 2026

A vida é sempre cheia de surpresas, mas tudo a seu tempo. Com muito orgulho e dedicação, desde maio de 2018 estou presidente do Instituto Histórico de Campina Grande, fundado em 1948 por Elpídio de Almeida e outros renomados historiógrafos locais com o objetivo de promover e assegurar a guarda e preservação da memória de Campina Grande.

Porém, apesar da nobre missão, o Instituto Histórico da cidade nunca recebeu qualquer auxílio financeiro dos poderes públicos, isso porque nossos políticos entendem que a promoção da memória não se converte em voto, ou não compreendem que a memória é o alicerce da identidade e da consciência de um povo, uma vez que conecta gerações e promove a cidadania. Não gosto de ser clichê, mas como dizia uma das maiores referências da historiografia brasileira, Emília Viotti da Costa: “um povo sem memória é um povo sem história. E um povo sem história está fadado a cometer, no presente e no futuro, os mesmos erros do passado”.

Na falta de incentivo orçamental público, sem recursos para manter um projeto dessa envergadura, o Instituto Histórico de Campina Grande chegou a ser extinto por três vezes: em 1962, sendo recriado por Dr. João Tavares em 1970, porém extinto outra vez em 1987, sendo de novo refundado por Amaury Vasconcelos em 1997, novamente extinto em 2000, e uma vez mais refundado, em 2012, por iniciativa de Ida Steinmüller. O fato de estar sempre ressurgindo das próprias cinzas demonstra a necessidade da memória ser preservada, e essa quarta versão “Fênix” do Instituto Histórico permanece ativa há 14 anos, aos trancos e barrancos.

Indubitavelmente, cada extinção do Instituto configurou-se em perdas irreparáveis para a memória da cidade, uma vez que os acervos reunidos acabavam se perdendo. Aliás, a atual formação do Instituto não herdou nada das versões anteriores, toda a grande maioria de documentação, acervos museológicos, hemeroteca, pinacoteca e biblioteca do atual Instituto são frutos de doações e buscas dos membros e colaboradores, especialmente Ida Steinmüller que doou o imenso espólio intelectivo de Elpídio de Almeida para o acervo do Instituto.

Hoje, com sede em pleno centro histórico da cidade, o Instituto se ocupa em guardar dezenas de objetos e mobiliários históricos, além de milhares de livros e documentos dos mais diversos sobre a história de Campina Grande, tudo devidamente higienizado, catalogado e acomodado para servir à pesquisa coletiva e à produção de novos olhares sobre a história local. Sem ajuda financeira dos poderes públicos, o projeto é financiado pelos próprios membros, que tiram de seus recursos pessoais para garantir o funcionamento mínimo dessa Casa de Memória. A gente não vive chorando pitangas com um pires na mão; a gente faz.

Porém, como presidente da Casa, recebi um convite do Governador Lucas Ribeiro e do Secretário de Cultura, Pedro Santos, para comparecer no dia 29 de maio passado às 17h30 nas dependências do Museu Assis Chateaubriand para tratar das demandas e propostas para área cultural de Campina Grande. Não entendi exatamente o que era, mas fui.

No entanto, quando cheguei lá, junto com Ida Steinmüller, para nossa grande surpresa, tratava-se de uma solenidade de assinaturas de termos para investimentos do Governo do Estado em segmentos da cultura de Campina Grande, e o Instituto Histórico de Campina Grande estava entre os agraciados, lhe sendo destinado uma verba de 100 mil reais para o tratamento de seus acervos. Fiquei meio atônito, sem saber como proceder, pois, essa foi a primeira vez na história do Instituto, em seus 78 anos de existência, que um governante reconheceu à nossa importância. E mais, embora muito necessário, a gente não pediu nada, foi espontâneo.

Aliás, Lucas Ribeiro sempre foi um moço sensível ao nosso projeto. Em 2018, ainda como vereador de Campina Grande, ele promoveu uma Audiência Pública na Câmara Municipal, convidando-nos para expor as necessidades do Instituto Histórico. E agora, logo no início de seu mandato como Governador, nos surpreende com esse surpreendente gesto de reconhecimento.