
Valberto José
Jornalista, habilitado pelo curso de Comunicação Social da Universidade Regional do Nordeste (URNE), hoje UEPB. Colunista esportivo da Gazeta do Sertão e d’A Palavra, passou pelo Diário da Borborema e Jornal da Paraíba; foi comerciante do setor de carnes, fazendo uma pausa de 18 anos no jornalismo.
Feito o bacalhau da Noruega, o resultado foi salgado
Publicado em 8 de julho de 2026Até os anos de 1960 de minha infância feliz, o bacalhau ainda era considerado mistura de pobre. O conceito começou a mudar na década de 1970, quando jornais e revistas o introduziram nos cadernos femininos, como ingrediente das receitas de Páscoa ou em momentos especiais durante o ano.
O bacalhau mais consumido naquela época era o norueguês, e a grande preocupação de quem o consumia era o excesso de sal, resultado de seu processo de produção, que se assemelha ao da verdadeira carne de charque. Foi dessa mistura salgada que me lembrei quando a Noruega se definiu como adversária da Seleção Brasileira nas oitavas de final da Copa do Mundo.
Ao contrário do confronto com o Japão, que assisti sozinho em casa e até dormi, aceitei o convite da sobrinha Nilza e de seu marido Miguel para assistir ao jogo em família. Então, ao lado de minha mãe, irmãos, sobrinhos e cunhado, vi o fracasso brasileiro diante da Noruega no aconchegante apartamento deles. O resultado não me surpreendeu, pois nem o triunfo sobre os japoneses me devolveu o entusiasmo perdido.
Claro que me preveni para o segundo tempo, fazendo companhia ao anfitrião, o único que estava bebendo uma cervejinha. Joguei a isca e ele me serviu, no intervalo da partida, uma cachacinha gelada, para variar, e discretamente tomei duas doses, como se estivesse profetizando o placar. Nem deu para me animar, principalmente com a entrada de Neymar e a mudança tática da equipe.
O bom desse desânimo pessoal é que não se sofre tanto com a derrota, encarando-a com naturalidade e até compreendendo suas causas. O sal é o vilão da pressão alta; no jogo, faltou pressão da equipe brasileira no campo adversário, e o resultado, como o bacalhau vindo da Noruega, foi salgado.

