
Valberto José
Jornalista, habilitado pelo curso de Comunicação Social da Universidade Regional do Nordeste (URNE), hoje UEPB. Colunista esportivo da Gazeta do Sertão e d’A Palavra, passou pelo Diário da Borborema e Jornal da Paraíba; foi comerciante do setor de carnes, fazendo uma pausa de 18 anos no jornalismo.
A frieza de Ancelotti me desanima ainda mais
Publicado em 1 de julho de 2026O futebol, contrastando com o meu passado de frequência assídua nos estádios e de profissional da imprensa especializada, não me atrai mais. Nem no campo, nem na TV. Este ano fui apenas uma vez ao “Amigão”, atraído pela presença dos netos na arquibancada; nesta Copa, tenho visto apenas os jogos do Brasil, apesar da desconfiança que o selecionado me causa. Contra o Japão, o time escalado por Carlo Ancelotti me deu sono.
Foi circunstancial o sono momentâneo, certamente contaminado pela sonolência da equipe, após um início promissor. A Seleção, quando ousou chegar perto da área, esbarrou no quinteto defensivo japonês, cedendo espaço e animando o adversário a contra-atacar.
Sozinho no sofá do meu sagrado lar, pois não deu tempo de voltar à casa da filha onde reuniríamos todos, acabei adormecendo no primeiro tempo e não vi o gol do Japão. Para mim, o jogo foi 2 a 0.
Quem, porventura, ler esse testemunho, deve estar pensando: que torcedor frio, esse! Realmente, o avançar da idade me tornou uma pessoa de certa insensibilidade ao futebol. A boa defesa de um goleiro e um gol de bicicleta são lances que ainda podem mexer comigo. Mas confesso que cerrei os punhos, contorcendo os braços, na vibração solitária do segundo gol.
Acho, no entanto, que nesta Copa do Mundo, com a Seleção Brasileira, vou continuar sentindo essa falta de ardor e entusiasmo. Contaminado pela frieza do técnico Carlo Ancelotti nos gols marcados e no resultado alcançado no primeiro mata-mata da equipe na competição.

