
Júnior Gurgel
Jornalista político, memorialista e Ghost writer. Ex- diretor de Jornais e Emissoras de Rádio na Paraíba, com atuações no Radiojornalismo.
QUAL SERÁ O MOMENTO DE ADRIANO GALDINO
Publicado em 12 de junho de 2026Abordado pela mídia “plantonista” acampada no Sítio São João, aguardando o deputado estadual Adriano Galdino, presidente da ALPB, repórteres ouviram respostas às perguntas quebra-queixo, sobre os mais diversos temas. Galdino discorreu sobre a política nacional, qualificou os perfis dos pré-candidatos a Presidência da República, e enfatizou sua preferência incondicional pelo Presidente Lula, na luta pela reeleição. Sob sua ótica, Lula é o maior líder do Brasil e do mundo.
Sem fugir de sua inconfundível postura “sincericida”, o deputado estadual campeão de votos na Paraíba é um dos principais membros do Republicanos (PB) e não no PT. Entretanto, nunca escondeu sua afeição pelo líder petista e sua biografia. Já visitou a Zona Rural de Garanhuns (PE), só para conhecer a casa onde Lula nasceu. Ouviu com emoção a história de testemunhas (ainda vivas) de sua partida num caminhão “Pau de Arara” rumo à distante São Paulo. O Rei do Baião Luís Gonzaga imortalizou essa “saga nordestina” numa bela canção: “A Triste Partida”.
O experiente Jornalista Hamilton Silva, antevendo uma possível crise na formação da chapa do governador Lucas Ribeiro – candidato a reeleição – enxergando que o guarda-chuvas é pequeno para abrigar um grande grupo, fugiu da linha de perguntas e atravessando com ousadia, abordou Adriano Galdino sobre um futuro próximo. “O vice de Lucas será você”? Galdino tergiversou, sugerindo não almejar a disputa pela posição. Na vida pública, um líder político tem que obrigatoriamente lutar por ascensão. Se não continuar crescendo, atrofia.
Uma decisão de Galdino neste momento pode comprometer a recondução do seu irmão Murilo para a Câmara dos Deputados. Terá que abdicar (sob pressão) de redutos, chantageado por membros do grupo, que temem não se reeleger. No mesmo horário que Adriano Galdino estava sendo acossado pela mídia campinense a Senadora Daniella Ribeiro, mãe do governador, estava sendo entrevistada na Capital, e defendendo uma mulher para compor a chapa de Lucas. Dentre outros nomes, foi sugerido Pollyanna Dutra. Daniella destacou que o vice tem que vir para somar (?). Adriano não soma o suficiente? Já está na casa, e na “cozinha”? Cozinhando para convidados?
Memória curta de Daniella. Esqueceu que foi Adriano Galdino, agigantando-se no entorno de Campina Grande, que elegeu João Azevedo governador, e seu filho Lucas Ribeiro vice. A eleição com Adriano como vice de Lucas pode ser liquidada no primeiro turno. Não por falta de uma forte oposição da direita, totalmente desorganizada. Mas, pela célere desidratação de Cícero Lucena, e o comportamento ecumênico de Lucas, completamente despido de radicalismo e brigando pelo seu voto, quer venha da direita, centro ou da esquerda. Nos seus discursos, prega a Paraíba em primeiro lugar. Se distancia do radical debate nacional, vendendo unicamente ideia de um futuro promissor para a Paraíba e sua gente. Porém, a realidade é outra. Para Hugo Motta, presidente do Republicanos (PB), a prioridade é eleger seu pai Senador da República. Lucas é um projeto do PP e do PSB.
Talvez, para Adriano Galdino, o segundo turno é oportunidade indispensável para se fortalecer. Não tem rusgas com Efraim Morais – pelo contrário, o ajudou a se eleger senador – e se não receber o devido tratamento merecido, decide a campanha como o fez há quatro anos.
