
Emir Gurjão
Pós graduado em Engenharia Nuclear; ex-professor da Universidade Federal de Campina Grande; Secretário de Ciências, Tecnologia e inovação de Campina Grande; ex-secretário adjunto da Representação do Governo da Paraíba, em Campina Grande; ex-conselheiro de Educação do Estado da Paraíba.
O mundo digital e a nova formação das crianças – escola Analógica x escola Digital
Publicado em 11 de junho de 2026Durante muito tempo, o ditado “filho de gato, gatinho é” explicava a continuidade entre pais e filhos. Os filhos aprendiam observando os pais, repetindo seus hábitos, sua linguagem, seus valores e sua forma de pensar.
No mundo digital, esse ditado muda de sentido. Hoje, as crianças não absorvem apenas a linguagem da família e da escola. Elas absorvem também a lógica das telas, dos vídeos, dos jogos, das redes sociais e da inteligência artificial. Aprendem com mais velocidade, mais imagens, mais estímulos e respostas imediatas.
Isso cria uma diferença grande entre gerações. Muitos pais foram formados no mundo da conversa presencial, do livro, do caderno e da explicação do professor. Já os filhos crescem no mundo da busca rápida, dos vídeos curtos, dos aplicativos e da interação digital. Talvez esse equilíbrio só venha numa próxima geração, quando os filhos de hoje tiverem filhos também digitais.
O cérebro aprende conforme o ambiente em que vive. Se a criança troca conversa, leitura, brincadeira física, sono e convivência por muitas horas de tela, ela não deixa de aprender; ela aprende de outra forma. O problema é que muito tempo diante de vídeos reduz o diálogo real, e a linguagem humana se desenvolve principalmente pela conversa, pela escuta, pelas perguntas e pelas histórias.
Tabletes, computadores e inteligência artificial podem melhorar a educação quando usados com método. Eles ajudam a pesquisar, programar, aprender línguas, criar música, estudar matemática, produzir textos e acessar conhecimentos que antes eram mais difíceis.
A escola tradicional é muito lenta para o mundo atual. Leitura, escrita manual, explicação do professor e disciplina continuam importantes, mas precisam conviver com novas formas de aprender: testar, comparar, interagir, criar e produzir.
O uso noturno de celular e videogame também muda o sono, o descanso e a concentração. A tela prolonga o dia e mantém o cérebro estimulado. Isso exige cuidado, porque descanso continua sendo necessário para aprender bem.
O mundo digital, mesmo quando usado de forma passiva, constrói uma nova direção mental. O cérebro se adapta ao ambiente rápido, visual e conectado. Por isso, o desafio não é proibir a tecnologia, mas orientar seu uso.
A criança precisa de tela, mas também precisa de conversa, leitura, brincadeira, sono, convivência e presença humana. O futuro será dos que souberem usar a tecnologia como ferramenta de desenvolvimento, sem serem dominados por ela.
