
Júnior Gurgel
Jornalista político, memorialista e Ghost writer. Ex- diretor de Jornais e Emissoras de Rádio na Paraíba, com atuações no Radiojornalismo.
ELEIÇÕES 2026: O DILEMA DE BRUNO CUNHA LIMA
Publicado em 5 de junho de 2026No tabuleiro do xadrez político da Paraíba – onde o jogo das eleições de 2026 está acontecendo – as manobras de bastidores da política profissional, e movimentos paralelos das oligarquias, estão deixando Bruno Cunha Lima em “xeque”. Para escapar das armadilhas que podem levá-lo a comprometer sua trajetória política, deixando precocemente a vida pública, torna-se imprescindível novas estratégias, que consigam reverter o quadro confuso que ora está sendo submetido.
A “máquina municipal” não tem capacidade de disputar três eleições, em quatro anos. Bruno, com dificuldades, tenta se recuperar dos golpes sofridos na luta por sua reeleição há dois anos. Enfrentar uma campanha estadual, indicando sua esposa ou mãe como vice, compromete totalmente sua sucessão em 2028. Para quem ainda está nas cordas desde 2024 voltar ao centro do ringue em 2026 no mesmo round é pedir para beijar a lona. Por outro lado, não pode jogar a toalha.
Uma derrota de Efraim Morais em Campina Grande, tendo como companheira de chapa Juliana Cunha Lima, seria um tombo definitivo na popularidade de Bruno. O mesmo poderá acontecer se Cícero Lucena sair em primeiro ou segundo lugar – atrás de Lucas Ribeiro – campanha alavancada por seus primos Cássio Cunha Lima (seu filho Diogo é vice); ex-prefeito Romero Rodrigues e o deputado estadual Tovar Cunha Lima. Para Bruno só restam duas alternativas. Lavar as mãos, como Pilatos, ou indicar um amigo, aliado da causa. Se Efraim vencer na cidade Bruno receberá os louros da vitória. Se perder, a derrota não foi sua. Seu nome não estava na chapa.
Se Nicolau Maquiavel ainda estivesse vivo, e Bruno o procurasse para aconselhá-lo, sua orientação seria entrincheirar-se e segurar seu Reino. Reforçar suas muralhas – elegendo Juliana Cunha Lima deputada estadual e campeã de votos na Rainha da Borborema – escolher e apoiar um nome para a Câmara dos Deputados, que ganhando ou perdendo fosse o mais votado em Campina Grande. Estas duas ações, se exitosas, o deixariam com fichas suficientes para continuar no jogo e indicar um sucessor com chances de vencer o pleito de 2028. Não se faz omeletes sem quebrar ovos.
É perceptível o desrespeito do Clã Cunha Lima (casa de Ronaldo e Glória) pelo líder e herdeiro único da Casa de Ivandro (Bruno Cunha Lima). Ninguém procurou ouvi-lo, antes de irem apoiar Cícero Lucena. Desprezaram sua opinião, ignoraram seu potencial, subestimaram sua capacidade instintiva de sobrevivência (reação comum no reino animal). Mesmo que os fatos atuais e seus desdobramentos culminem num “racha” na família, não é nenhuma novidade no meio. José Américo e seu genro, Alcides Carneiro; Clãs Alves, Maia e Rosados (RN); Netos de Miguel Arraes (PE); Ciro e Cid Gomes (CE). Este tipo de evento é comum, sob a premissa que correligionários do “hoje” inevitavelmente serão adversários no “amanhã”. Aberrante, são lideranças sem votos, atropelar um detentor de mandato popular, obrigando-o a curvar-se aos seus caprichos. Bruno é o único membro da família que carrega o sobrenome Cunha Lima, com mandato e governando o segundo maior colégio eleitoral do Estado. Gostem ou não, é o líder do Clã. A voz de comando teria que ser a sua. O destino do grupo está em suas mãos.

