Júnior Gurgel

Jornalista político, memorialista e Ghost writer. Ex- diretor de Jornais e Emissoras de Rádio na Paraíba, com atuações no Radiojornalismo.

WILSON SANTIAGO: ELEIÇÕES NA PARAÍBA TALVEZ SEJA DE TURNO ÚNICO COM LUCAS E ADRIANO GALDINO

Publicado em 2 de junho de 2026

Na reta final das convenções partidárias, que homologarão as candidaturas para a disputa pelo Governo do Estado da Paraíba, procuramos ouvir o veterano e experiente deputado federal Wilson Santiago, sobre um fenômeno atípico, inesperado e precoce, que justifique o crescimento da pré-candidatura de Lucas Ribeiro, constatado pelos mais diversos institutos de pesquisas – figurando já em primeiro lugar em todos os cenários – surpreendendo a crônica política, que projetava para agosto (com ceticismo) um empate técnico com Cícero Lucena. Na visão de Santiago, o ex-prefeito se precipitou ao entrar na corrida como “coelho de maratona”. Quanto ao Senador Efraim Morais, não está sabendo usar ferramentas adequadas para conquistar o eleitor. Explora o embate nacional (direita x esquerda). Um vazio que o deixa sem discurso, capaz de fomentar uma oposição direta e local (estadual) da atual gestão. Nenhum dos dois candidatos opositores de Lucas dispõe de munição para alvejar uma gestão iniciada há sessenta dias. Lucas completa, hoje, dois meses de governo.

Argumentos convincentes de Wilson Santiago nos fez enxergar a estratégia do bloco monolítico que orbita em torno do Governo. Destacou as virtudes e qualidades de Lucas, que se apresenta com uma postura moderada e se comporta como ouvinte paciente e humilde, caraterísticas de um bom aprendiz, seguindo uma agenda preestabelecida pelo presidente da ALPB, Adriano Galdino.

Prudencialmente se distancia do enfrentamento nacional e foca seu projeto na Paraíba. Tem afastado o radicalismo do seu entorno, escuta lideranças municipais e o povo, abrindo espaços para um ambiente de convergências. Este gesto tem evitado brigas internas no seu bloco e esvaziado críticas de seus concorrentes diretos. Como atacar Lucas? Ele não tem “passado”. Vive o presente procurando construir seu futuro. É continuísta de um governo bem avaliado.

Gradativamente está corrigindo falhas de seu antecessor (interlocuções). Não é narcisista, e sem grandes alardes está conseguindo imprimir sua própria marca, de forma discreta, sem ferir suscetibilidades.

Lucas não é obra do “marketing político”. Tem se revelado como um jovem com estilo próprio que aprendeu com os erros dos outros. Seu desafio é manter esta habilidade sem tropeçar nas armadilhas de seus adversários e correligionários. Todos que estão lutando por um mandato – ao seu lado, ou contra – buscam se eleger. Não faltará oportunidades para traições e rompimentos intempestivos. Nem tão pouco, descontentes das duas chapas opositoras buscarem abrigo no Palácio da Redenção, motivados pela perspectiva de poder.

O candidato Cícero Lucena (MDB) ainda não tem um coordenador de campanha nem um assessor de imprensa, para interagir com a mídia. Em suas andanças, fala das obras realizadas na Capital (?). Com este apelo, não conquistará votos espontâneos nos distantes grotões do Estado, compostos por populações que nunca visitaram Tambaú. Seu sucessor cortou as verbas destinadas a publicidade, comprometendo o faturamento de pequenos blogs e sites espalhados por toda Paraíba. Léo Bezerra teme o TCE, que questionará a necessidade de gastos para divulgar seu governo fora dos limítrofes de João Pessoa.

Cícero não é um nome novo. Pelo contrário, tem trinta e dois anos de militância ferrenha antipetista e hoje pede votos para Lula. Uma penca de contradições, que será explorada de forma incisiva no período eleitoral. Efraim espera por Bruno Cunha Lima. Não conseguiu montar uma agenda onde estejam sempre presentes nos seus eventos Marcelo Queiroga, Cabo Gilberto e Nilvan Ferreira. Até o momento, não conseguiu sensibilizar o pastor Sérgio Queiroz e motivá-lo para abraçar sua causa. Sem linhas de defesas e falta de trincheiras, o exército de Lucas e Adriano avança.