Valberto José

Jornalista, habilitado pelo curso de Comunicação Social da Universidade Regional do Nordeste (URNE), hoje UEPB. Colunista esportivo da Gazeta do Sertão e d’A Palavra, passou pelo Diário da Borborema e Jornal da Paraíba; foi comerciante do setor de carnes, fazendo uma pausa de 18 anos no jornalismo.

Abençoado retorno ao Gigantão da Prata

Publicado em 24 de abril de 2026

Fui goleiro no tempo menino, entrando na adolescência; hoje, testemunho profissional do gol sendo menino em tempo de goleiro. Lembrei-me dessa fase atlética da minha vida ao retornar ao Colégio Estadual da Prata, 50 anos depois da primeira vez em que lá pus os pés, em missão de busca constante da espiritualidade conjugal, prática que as Equipes de Nossa Senhora nos propõem como seu carisma principal.

Naquele início de tarde de fevereiro de 76, ao atravessar o portão lateral direito do Gigantão, para a efetivação de matrícula após aprovação em teste seletivo, e avistar o campo de futebol com presumíveis medidas oficiais, perguntei-me: será que voltarei a ser goleiro aí? Claro que não retomei a prática de goleiro – nem cheguei a treinar, pois a rotina laboral logo começou não permitindo sequer a participação nas peladas dominicais.

Nos anos de 1970, a agora Escola Cidadã Integral Técnica (ECIT) Dr. Elpídio de Almeida) não tinha um ginásio de esportes. Uma quadra de futebol de salão (futsal) e basquete e outra de vôlei de areia serviam às aulas de Educação Física. No local do hoje também gigante refeitório era um pátio a céu aberto, onde a maioria dos alunos daquele tempo se concentrava no horário de recreio.

Passei quatro anos estudando no Gigantão da Prata e somente voltei às suas instalações, no domingo 19 de abril, quase cinco décadas passadas, portanto. Como nos impactou positivamente — a mim e aos irmãos das Equipes de Nossa Senhora — Setor Campina Grande B, que, nesse dia, participamos do Mutirão.

Particularmente, me surpreendeu o tamanho do auditório. Não lembrava que é tão grande, e o palco me pareceu que mudou de lado.

Sempre que surgia a oportunidade, recordava aos equipistas que há meio século entrara neste colégio para estudar por quatro anos. E recitava os versos que um inspirado aluno escrevera na parede de um dos banheiros: Neste quarto solitário/Onde a vaidade se acaba/Todo covarde faz força/Todo valente se caga.

O Mutirão é um encontro formativo, de realização anual e de características alegres e descontraídas, que visa “reavivar as origens, o carisma e a pedagogia do movimento”. Foi um dia maravilhoso! De grande vivência espiritual, reencontros e recordações.