Marcos Marinho

Jornalista, radialista, fundador do ‘Jornal da Paraíba’, ‘Gazeta do Sertão’ e ‘A Palavra’, exerceu a profissão em São Paulo e Brasília; Na Câmara Federal Chefiou o Gabinete de Raymundo Asfóra e em Campina Grande já exerceu o mandato de Vereador.

O chute nos “eggs” do nosso vendedor de testículos

Publicado em 23 de abril de 2026

Ao longo de mais de duas décadas o abnegado e entusiasta vendedor de testículos, tripas, fígado e mocotó de boi na feira central de Campina Grande, Ednaldo Mendonça, que detém o monopólio da distribuição desses produtos em todo o agreste paraibano, advindos do próprio matadouro que mantém no Município de Puxinanã, onde emprega mais de 20 pais de família, se viu transformado no maior defensor do projeto de revitalização do local, “guerra” pública que se arrasta a passos de tartaruga desde o começo da primeira gestão do ex-prefeito Veneziano Vital do Rego e que já consumiu, sem que se saiba como, milhões de reais.

Integrante da diretoria da tímida Associação de Feirantes do Mercado Central campinense, Ednaldo sempre se manteve na vanguarda das discussões que envolvem a imensa área, fazendo valer a sua opinião e buscando cada vez mais o melhor para os feirantes e clientes, tendo por isso mesmo se tornado um ícone dentre os líderes da feira.

Campina Grande, portanto, muito deve a ele. Por isso, nada mais justa que esta homenagem que agora o prefeito Bruno Cunha Lima lhe faz ao anunciar o efetivo início das obras: afixar um colorido e gigante painel na entrada da cidade, em frente à pomposa arquitetura do monumental edifício-sede da Federação das Indústrias do Estado da Paraíba (FIEPB) estampando seu sorriso como saudação ao progresso da nossa terra.

Dos milhares de incrédulos do projeto, me incluo como o primeiro total descrente em vê-lo sair da prancheta…

Enquanto Vereador campinense, roguei por inúmeras vezes ao prefeito que ajudei a eleger – Veneziano – que desse gás à obra e botasse para geri-la alguém do metier, onde Ednaldo muito bem se encaixaria.

Como alguns outros políticos da terrinha, que só vão à feira central em época de pedir votos, e sem também sequer saber andar pelos buracos do imenso mercado onde tudo nele a gente encontra, Vené tinha em seu entorno excelentes nomes para a missão, um deles outro apaixonado pelo local, o meu denodado amigo Vereador Olímpio Oliveira, que conheci rapazote em tempos pretéritos vendendo ovos de galinha na banca do genitor e que melhor do que qualquer outro conterrâneo conhece cada palmo daquele chão, mas preferiu optar, como quem bota raposa para tomar conta de galinheiro, pela “indefectível” elegância do seu parsa Alex Azevedo, que de tanto laborar em sombras ninguém, a não ser ele mesmo, consegue encontrar o que supostamente produz.

Resultado: a reforma da feira empancou e nem Romero, com toda a sua telúrica habilidade e conhecimento de causa, conseguiu destravar aquele nó…

Com Bruno Cunha Lima, a esperança renasceu. Até porque foi outro Cunha Lima (Cássio) o único dos prefeitos do século a tentar – e efetivamente conseguiu em parte – organizar o espaço dando-lhe uma grande cobertura para ajudar feirantes e clientes a se abrigarem das águas de março e meses seguintes.

Com ajuda do seu secretário de Planejamento, Félix Neto, BCL conseguiu gente boa de fora e junto a arquitetos ousados conseguiu dar forma a um projeto mais dinâmico e moderno – esse que agora começa a tirar do papel e, quem sabe, possa também matar a minha incredulidade.

Cutuquei o quanto pude a solitária argumentação de Ednaldo e a sua obstinada esperança de ver a feira modernizada, como os prefeitos até aqui prometeram. E ele a uma só voz, a cada vez que lhe provocava se teria vida longa para poder chegar ao dia da inauguração: “Bruno vai fazer!”.

Ontem vi o painel com o sorriso ainda tímido de Ednaldo lá na frente da FIEPB e obriguei-me a frear bruscamente – assustadoramente, melhor assim dizer – o carro ao verificar que BCL deu um baita chute nos ‘eggs’ do meu amigo vendedor de testículos bovino quando rasgou a identidade dele dando-lhe um novo nome: EDMUNDO !!!

E só pode mesmo ser um EDMUNDO qualquer aquele lá no painel multicolorido que a agência do operoso Hugo (MAIS PROPAGANDA) produziu, arrodeado por belíssimas e apetitosas mangas, mas sem os mocotós, fígados, testículos e tripas gaiteiras que fazem a festa desse Ednaldo que a gente pode carimbar como o REI DA FEIRA DE CAMPINA GRANDE.

Pensei que Bruno conhecia Ednaldo, mas agora percebo que ele nem apenas não o conhece, como também nunca foi lá na tarimba dele comprar uma parelha de testículos para degustar, fritos no azeite de oliva tomando uma boa taça de vinho (pode ser chileno mesmo) ao lado da sua bela e honrada juliana, em noite fria na fazenda Caiçara onde o cheiro de bondade do seu avô Ivandro com certeza lá ainda permanece.

Mas, será que ainda dá tempo para corrigir?