Júnior Gurgel

Jornalista político, memorialista e Ghost writer. Ex- diretor de Jornais e Emissoras de Rádio na Paraíba, com atuações no Radiojornalismo.

O REPUBLICANOS DECIDIRÁ A DISPUTA PELO GOVERNO DA PARAÍBA

Publicado em 20 de abril de 2026

Diferente dos demais Estados da região, o partido Republicanos da Paraíba é a legenda que decidirá o pleito para o Governo do Estado em outubro próximo (2026). A vitória do seu candidato tem chances de se consumar logo no primeiro turno. O resultado depende exclusivamente da coesão do grupo e sua participação na chapa majoritária. Um deslize ou desatenção poderá repetir 2022, quando elegeram Efraim Morais para o Senado – derrotando os prepostos do governador e do PT – e no segundo turno, a insensibilidade de Pedro Cunha Lima levaram-lhes a optar por João Azevedo.

A sigla, na atual composição que está inserida – leque de alianças com grandes partidos em torno do projeto da reeleição do governador Lucas Ribeiro – exibe “musculatura” de peso pesado, frente a seus concorrentes, com estatura da categoria de peso pena. A decisão letífera será a escolha do vice. Se não indicarem Adriano Galdino e em seu lugar emplacarem um nome do PT, o resultado será imprevisível, e no segundo turno. Na última entrevista coletiva do presidente da ALPB (sincericida), Galdino demonstrou estar pronto para o combate. Previu eleger no mínimo dez deputados estaduais e talvez ampliar o número de integrantes da bancada federal. Mas, qual será sua recompensa pelo empenho? Ele já tem sua reeleição garantida, independentemente dos palanques das majoritárias. Na escada da política, todos querem subir um degrau a mais. Galdino permanecerá no mesmo batente?

Usando linguagem curta e direta, Adriano assegurou que confia no compromisso assumido por Lucas Ribeiro e seu grupo. Manutenção das mesmas Secretarias – ora ocupadas por indicados do Republicanos – e a presidência da ALPB, já pactuado que seu sucessor será o deputado estadual Wilson Filho. Ao ser indagado sobre quem seria o vice de Lucas, tergiversou e mudou de semblante. “É uma decisão para os 45 minutos da prorrogação”, fazendo uma analogia ao futebol, finais de um campeonato.

ORQUESTRA DESAFINADA       

As chances de Efraim Morais chegar ao segundo turno dependem do seu poder de persuasão. É inadmissível seu primeiro suplente André Amaral – expectativa de poder para desfrutar quatro anos no Senado Federal – não ser o seu maior cabo eleitoral, como foi Ney Suassuna em 1994 na campanha para eleger Antônio Mariz. Trabalhou e gastou mais que o candidato, que não dispunha de recursos mínimos para continuar na campanha, após alcançar a graça de chegar ao segundo turno contra Lúcia Braga. Efraim está só, e sua única alternativa para se tornar competitivo é convencer o prefeito Bruno Cunha Lima lançar a primeira dama de Campina Grande, Juliana Figueiredo, para vice. Em João Pessoa, tem que motivar o pastor Sérgio Queiroz a entrar na luta, com seu grande exército da vanguarda conservadora. Falta ação ou interlocução?

Sem André Amaral, que prefere ficar ao lado de Lula/STF – interesses pessoais – só restam esses dois movimentos para Efraim aspirar as chances reais de ser o mais votado nos dois principais colégios eleitorais do Estado, criando a possibilidade de levar o pleito para o segundo turno. Quanto a Cícero Lucena, enfrenta a dificuldade de entrar em Campina Grande – mesmo puxado por Diogo Cunha Lima – já que ninguém acredita num rompimento de Romero Rodrigues e Tovar Cunha Lima com a “máquina” da Capital do Trabalho. Romero pretende suceder Bruno. Votará contra Juliana? Tovar tem tropas aquarteladas na PMCG. Não votando em Juliana, perderá este espaço, ocupado por lideranças úteis, indispensáveis para completar sua votação e provável reeleição. E Ronaldo Cunha Lima Neto?

SENADO FEDERAL

A corrida pelas duas vagas, para o Senado Federal – disputa renhida e norteada pela campanha presidencial – poderá ser uma surpresa semelhante ao pleito de 2018. Uma imprevista inversão de expectativas. Os dois últimos foram os primeiros. Cássio e Luís Couto, favoritos, foram derrotados por Veneziano Vital do Rêgo e Daniella Ribeiro, considerados terceiro e quarto lugar nas pesquisas da época. João Azevedo entrará num processo inevitável de “desidratação”. Está sem poder e sem caneta. Seu partido, o PSB, não tem um único deputado federal (com mandato) para trabalhar seu voto. Agravando o quadro, suas chances de eleger apenas um, são absolutamente remotas, impossíveis.

O Republicanos tem três deputados federais e uma forte chapa, cuja prioridade será brigar pelo primeiro voto para Nabor Wanderley. A Federação Progressista promete o voto a João. Nabor e João atacarão as bases de Veneziano Vital do Rêgo. Marcelo Queiroga surfa nos votos dos barulhentos e silenciosos eleitores da “Direita Conservadora” e do Bolsonarismo. Segundo o Veritá, um contingente que representa 51% na Paraíba, composto de antipetistas e anti-Lula. A bandeira da direita é derrotar a disfarçada autocracia, comandada pela mistura homogênea (café com leite) STF/Lula.

O Instituto Atlas Intel, após o escândalo do Banco Master, divulgou uma pesquisa semana passada mostrando uma rejeição de 70% da população às decisões ideológicas e partidárias dos ministros do STF, alinhados com o Palácio do Planalto. Por mais que Lula tente se livrar destes membros da Corte, é tarde demais. Gilmar Mendes, Alexandre de Moraes, Dias Toffoli, Flávio Dino e Zanin, deram-lhes um “abraço de afogado”.

Na medida em que forem sendo “vazados” dados das delações premiadas do roubo do INSS e Banco Master, Lula aos poucos vai perdendo seu poder de competitividade. No momento, paira no ar dúvidas de sua candidatura à reeleição.