
Valberto José
Jornalista, habilitado pelo curso de Comunicação Social da Universidade Regional do Nordeste (URNE), hoje UEPB. Colunista esportivo da Gazeta do Sertão e d’A Palavra, passou pelo Diário da Borborema e Jornal da Paraíba; foi comerciante do setor de carnes, fazendo uma pausa de 18 anos no jornalismo.
Mereço a estatueta de coadjuvante nesse processo
Publicado em 27 de março de 2026Não me surpreende a constatação científica de que a convivência com pessoas difíceis acelera o envelhecimento biológico. A realidade antagônica doméstica, não obstante o sentido oposto do exemplo, endossa os estudos publicados na revista PNAS (Proceedings of the National Academy of Sciences), no mês passado; essa veracidade, expressa no modo de agir e falar, frequentemente é perceptível aos olhos alheios.
Na conformidade do estudo, conviver com pessoas de temperamento difícil nos deixa com aparência envelhecida em torno de 1,5% ou nove meses a mais no processo. O efeito se dá porque interações negativas com frequência ativam o eixo hipotálamo-hipófise-adrenal, causando o excesso de cortisol e adrenalina, mantendo o corpo sempre em estado de alerta constante, o que desgasta o organismo.
Antigamente, quando uma pessoa mantinha uma aparência mais jovial, dizia-se que ela tinha um calibre bom. Há tempo que não escuto essa frase, embora presencie, frequentemente, a admiração de muitos por minha mãe não aparentar a idade que está completando, e isso me enche de satisfação. “Como tua mãe é nova!”, costumo ouvir.
Essa simulação natural da idade materna poderia desabonar o estudo científico, pois meu pai era uma pessoa de difícil convivência. Mas não. A colocação de três pontes de safena aos 40 e poucos anos o transformou em um homem novo, mais tranquilo e de convívio mais fácil; acredito que a fé de minha mãe, que a faz tão serena, também a torna mais jovem.
No âmbito doméstico, testemunho que a ancianidade feminina não chegou em sua plenitude. Nem no corpo, nem na mente. Recordo que, no trabalho, colegas já admiravam a aparência jovem de minha mulher, Margarida. Naquela tarde de pouco serviço, conversávamos em grupinho, e essa jovialidade passou a ser tema; diante da concordância unânime, um confrade justificou: “Isso é mulher bem-amada”. Não costumo me gabar, mas garanto que sou coadjuvante nesse processo.
