
Júnior Gurgel
Jornalista político, memorialista e Ghost writer. Ex- diretor de Jornais e Emissoras de Rádio na Paraíba, com atuações no Radiojornalismo.
REJEIÇÃO DE LULA INVIABILIZA PERSPECTIVA DE VITÓRIA
Publicado em 26 de março de 2026Programa CNN LIVE, noticioso matutino apresentado por Elisa Veeck das 09:00hs às 12:00hs, deixou a audiência – e a própria jornalista – perplexa ontem (26/04/2026) no momento em que divulgava os dados colhidos através de uma pesquisa realizada pelo instituto PODERDATA, entre os dias 21 e 23/03/2026. A desaprovação do governo Lula atingiu 61%. Sua aprovação despencou para 31%; não sabem ou não responderam 8%.
A reviravolta é estonteante, quando observa-se a trajetória decrescente entre 2023 e 2026. Em 2023, início de seu terceiro mandato, 57% da população aprovaram o Lula III. Os números caíram e oscilaram entre 49% e 51% em 2024/2025. A partir de janeiro de 2026, em todos os Institutos de pesquisas, independentemente de suas metodologias o registro é de queda contínua. Não foi detectado nenhum crescimento, acima de 33%, que se distanciasse da margem de erro de 3%, quando o entrevistado avalia o governo, optando entre “ótimo e bom”, e “ruim ou péssimo”.
Praticamente a seis meses do primeiro turno, o PT se depara diante de uma conjuntura completamente adversa, e muito aquém do cenário de 2022. Sua aliança precária com o Centrão começa a desmoronar. Ministros que ocupam pastas e espaços na Esplanada dos Ministérios renunciarão para renovarem seus mandatos. O MDB, por exemplo, dos 27 Estados incluindo o DF, 14 já declararam sua posição antipetista. O mesmo está acontecendo com o União Brasil, PP e Republicanos, que comanda São Paulo, maior colégio eleitoral do País.
Nada está tão ruim que não possa piorar. Prováveis eventos, extremamente desfavoráveis, ameaçam arrastar o PT para o fundo do poço.
Prorrogação da CPMI do INSS, delação do “Careca” ou de um dos 14 presos pela roubalheira dos aposentados e pensionistas; quebra de sigilo de Lulinha; instalação da CPMI do Banco Master; delação de Daniel Vorcaro, explicando encontro fora da agenda com Lula e Gabriel Galípolo, então futuro presidente do Banco Central. Tudo pode culminar na tempestade perfeita.
Os sinais começaram a se tornar visíveis, após amostragem realizada pela Futura Apex publicada em 11/03/2026 identificando vitória de Lula apenas no Nordeste. Mesmo assim, sua popularidade havia “encolhido”, bem abaixo da média histórica. Antes, Lula obtinha na região 60% dos votos. Este índice hoje é de 40%, contra 25% de Flávio Bolsonaro. Dos entrevistados, 35% não sabem ou não responderam, estão indecisos, e outros votarão nulo ou branco. Por que 25% desistiram de Lula?
Para confirmar o acerto do Futura Apex, tomamos como exemplo o vizinho Rio Grande do Norte. A governadora do PT Fátima Bezerra está no poder e foi reeleita. Desistiu de renunciar, para voltar ao Senado Federal. O Estado, politicamente, vive sua pior crise da história. O vice-governador, Walter Alves (MDB), se recusou a assumir. O presidente da ALERN, deputado estadual Ezequiel de Sousa, não assumirá. Se tornaria inelegível. É candidato a renovar seu mandato. Assumiria o Presidente do Tribunal de Justiça, que convocaria eleição indireta em 30 dias.
A governadora percebeu a armadilha. Qualquer um que se elegesse seria seu opositor e a derrotaria. Iria exonerar, no mínimo, 50 mil contratados e cargos comissionados, eleitores fiéis, aliados de longas datas. Permanecerá presa na cadeira até o dia 01/01/2027. Seu candidato, Cadú Xavier (PT), pontua 6,35%, desde dezembro de 2025. Recém lançado pelo PL, o ex-prefeito de Natal, Álvaro Dias, já alcançou 31,18%, tomando a liderança de Alysson Bezerra (União Brasil), agora com 29,24%. Em Pernambuco, Raquel Lira (PSDB) empatou tecnicamente com João Campos, PT. Na Bahia, Vorcaro derrotará todos. Escapará o menos ruim, ou um outsider vindo do PL.
