Júnior Gurgel

Jornalista político, memorialista e Ghost writer. Ex- diretor de Jornais e Emissoras de Rádio na Paraíba, com atuações no Radiojornalismo.

TEMENDO PROVÁVEL DELAÇÃO DE DANIEL VORCARO HUGO MOTTA PROCURA BLINDAGEM

Publicado em 17 de março de 2026

Quem está seguro e fora do alcance de ser atingido por uma provável delação do banqueiro Daniel Vorcaro? O escândalo do Banco Master, analisado diariamente sob os mais diversos aspectos – pela veterana crônica política do Planalto Central – indica que seus desdobramentos culminarão numa catástrofe de proporções imprevisíveis. Traz consequências danosas aos três poderes da República, ora totalmente divididos: STF, Polícia Federal; Palácio do Planalto (governo) e Congresso Nacional.

O roteiro ainda não conhecido e nem divulgado pela grande mídia vem deixando a maioria do parlamento em polvorosa. Tensão semelhante a CPI do Mensalão (2005). Os que estavam acima de qualquer suspeita temiam ser citados ou envolvidos como testemunhas. Aliás, o momento é pior que em 2005. Estamos em pleno ano eleitoral e as campanhas já nas ruas. Reeleição de Lula, eleições para os governos dos Estados, renovação de mandatos para o Congresso Nacional (deputados federais e senadores)

O jornalista Caio Junqueira (CNN Brasil) divulgou ontem à noite (16/06/2026) encontro reservado, sábado (14/03/2026), em área fechada de um restaurante em Brasília, onde cochichavam o ex-ministro Luís Roberto Barroso, Alexandre de Moraes, Andrei Rodrigues (Diretor Geral da PF) e o presidente da Câmara dos Deputados Hugo Motta. Temos a absoluta certeza que não discutiam as probabilidades do filme “O Agente Secreto” ganhar um Oscar, ou se Carlo Ancelotti convocaria Neymar para os últimos amistosos da Seleção Brasileira, antes da Copa do Mundo.

Ainda tem quem acredite numa operação da PF na Prefeitura de Patos? Algo tão improvável quanto a instalação da CPI do Banco Master na Câmara dos Deputados, presidida por Hugo Motta. A mídia profissional, no árduo trabalho de recuperar sua credibilidade – não suportando mais respirar o odor desagradável que exalava da sujeira acumulada debaixo do tapete dos três poderes – começa a cobrar uma faxina geral.

Quem sujou que limpe. Globo, Band, SBT, Record, estão gradualmente recuperando prestígio e audiência. Canais de assinantes, como Globo News e CNN, na mesma linha, reproduzem matéria dos Jornais O Globo, Estadão, Folha e Revista Veja.

Os poucos jornalistas partidários acreditam numa “delação seletiva”. Vorcaro fará uma escolha para salvar o STF e o Palácio do Planalto. Entregará a “raia miúda” e presidentes de legendas, que não disputarão eleições. Este tipo de comentário nos causa perplexidade. Uma “delação premiada” só será aceita e homologada se trouxer em seu bojo elementos que ainda não constam no inquérito e que são desconhecidos pelos investigadores. Mesmo assim, com provas robustas que testifiquem sua veracidade. Recibos, comprovantes de depósitos ou transferências bancárias, contratos de gaveta e gravações periciadas. As mensagens amplamente divulgadas, que estavam armazenadas num dos quatros telefones de Daniel Vorcaro já constam no inquérito como provas irrefutáveis. Correndo contra o tempo, seu advogado aconselha a delação antes da perícia dos outros três telefones. Diminui, inclusive, o risco de ser “suicidado”.