EXCLUSIVO – Histórico das eleições para o Senado na Paraíba: os últimos sempre foram os primeiros
Publicado em 27 de fevereiro de 2026O saudoso companheiro William Tejo, um dos grandes jornalistas político/historiador da imprensa campinense, enfatizava sempre este fenômeno – períodos de campanhas – quando se discutia quais os candidatos mais competitivos para o Senado Federal, e formadores de opinião apontavam precipitadamente os favoritos. Tejinho citava um exemplo irrefutável: Argemiro Figueiredo, eleições 1954.
Nas eleições de 1946, após a ditadura Vargas (Estado Novo) capitular, Argemiro de Figueiredo foi um dos principais fundadores da UDN e comandava a legenda na Paraíba. Elegeu sete dos nove deputados federais, inclusive ele próprio; o governador do Estado, Oswaldo Trigueiro do Vale; dois senadores, o ex-prefeito de Campina Grande Vergniaud Wanderley (Verniô) e Adalberto Ribeiro. Tornou-se a maior liderança política da Paraíba, sombreando inclusive o pai da revolução de 1930, José Américo de Almeida. A classe política o aclamou pelo seu gesto altruísta. Como ex-interventor, poderia ter sido candidato a governador ou senador. Entretanto, para somar, unir e multiplicar, aceitou ser deputado federal e coordenar toda a campanha.
A história mostra que toda unanimidade é burra (segundo Nelson Rodrigues). Um ano após este triunfo fenomenal, Argemiro lançou seu cunhado, Major Veneziano Vital do Rêgo, para prefeito de Campina Grande, sem ouvir seus liderados. Venceu o pleito o médico Elpídio de Almeida, que não era político e nem campinense. Em 1950, Argemiro se lançou candidato a governador pela UDN contra José Américo de Almeida que, sem espaço na legenda, disputou pelo PL. Argemiro amargou sua segunda derrota. Para testar sua liderança na Rainha da Borborema candidatou-se a prefeito em 1952 contra o indicado por Elpídio de Almeida, o promotor público (Pombalense) Plínio Lemos. A campanha seria um passeio. Urnas apuradas, Argemiro perde para Plínio. Estava claro que tinha chegado ao final de sua carreira política.
Obstinado, Argemiro mudou sua estratégia. O erro estava nele mesmo. Passou a ouvir mais e prestigiar os poucos seguidores que ainda o apoiavam. Candidatou-se ao Senado, para enfrentar a reeleição de Assis Chateaubriand Bandeira de Melo, dono do maior império de comunicação da América Latina, bilionário e respeitado em todo o país. João Arruda, natural do distante Bonito de Santa Fé, completamente desconhecido na Paraíba, entrou na disputa. Era um bilionário fornecedor de todo o algodão da Paraíba às indústrias de tecelagem de São Paulo. Concentrou sua campanha no Sertão, Cariri e Curimataú. Segundo o saudoso amigo José Timóteo, o dinheiro que chegava não cabia nos cofres do Banco do Brasil. Quando apuraram as urnas Chateaubriand foi derrotado. Venceram João Arruda e Argemiro de Figueiredo, o único que era previamente considerado derrotado. Ninguém acreditava em sua vitória.
Em 1962, foi a vez de João Agripino Filho, candidato sem chances. Em 1970, após não conseguir renovar seu mandato de deputado federal em 1968, Milton Cabral se elegeu senador, ao lado de Domício Gondim, derrotando Argemiro de Figueiredo em sua última campanha. Milton, genro de Drault Ernani, dono da Refinaria de Petróleo de Manguinhos. Domício, o “Rei do Zinco do Brasil”. Ninguém apostava em suas vitórias.
Em 1978, o deputado federal Humberto Lucena derrotou o governador Ivan Bichara Sobreira. Chegou 1982 e Pedro Gondim, governador por duas vezes na Paraíba, perdeu para o deputado federal Marcondes Gadelha. Wilson Braga em 1986, após deixar o governo do Canaã, tinha sua vaga garantida no Senado. Venceu Humberto, e o neófito totalmente desconhecido Raimundo Lira, obtendo o dobro dos votos de Braga.
Quem acreditava na eleição de Antônio Mariz em 1990, com o PMDB destroçado depois do estelionato eleitoral do Plano Cruzado? Ninguém. Só seu suplente Ney Suassuna. Mariz foi eleito. Mas, em 1994, o PMDB tinha chegado ao fundo do poço na Paraíba. Ronaldo atirou para matar Burity e se não fosse Manoel Gaudêncio, teriam morrido os três. Burity, Marconi Góis e Manoel Gaudêncio. Lúcia Braga estava eleita governadora no primeiro turno. Lira e João Agripino Neto, senadores. Venceu Mariz, Ronaldo e Humberto, contrariando todos os prognósticos da época. Em 1998, Maranhão foi reeleito governador e Ney Suassuna Senador, ratificando nas urnas as projeções. Registre-se o fato que os Cunha Lima não disputaram a chapa majoritária.
Em 2002 uma vaga era de Maranhão, outra de Wilson Braga. Uma semana antes do pleito Braga tinha 18% à frente de Efraim Morais. Perdeu no dia, para o “azarão”. Em 2006, ninguém duvidava da reeleição de Ney Suassuna. Deu tudo a Paraíba, como ministro da Integração Nacional. Perdeu para Cícero Lucena, após ser preso suspeito de corrupção. Em 2010, Maranhão perdeu a reeleição com poder de caneta. Mas, Vital Filho se elegeu senador, ao lado de Wilson Santiago. Cássio concorreu e seus votos foram apurados quase dois anos depois. Tirou Santiago do Senado. Na reeleição de Ricardo Coutinho (2014), Maranhão apelava pelo voto da despedida da vida pública. Derrotou Wilson Santiago, o candidato de Cássio. O absurdo e inimaginável foi o pleito de 2018. Veneziano Vital do Rêgo e Daniella Ribeiro derrotaram Cássio Cunha Lima e Luís Couto.
Alguém de bom senso acreditaria que o deputado federal Efraim Filho venceria a candidata de João Azevedo e o ex-governador Ricardo Coutinho? Venceu.
Fonte: Da Redação (Por Júnior Gurgel)
