
Emir Gurjão
Pós graduado em Engenharia Nuclear; ex-professor da Universidade Federal de Campina Grande; Secretário de Ciências, Tecnologia e inovação de Campina Grande; ex-secretário adjunto da Representação do Governo da Paraíba, em Campina Grande; ex-conselheiro de Educação do Estado da Paraíba.
O Nordeste repetirá 2022?
Publicado em 24 de fevereiro de 2026Lazaro Farias publicou como forma de pergunta o seguinte:
O Nordeste foi, por décadas, o pilar mais consistente do lulismo — um apoio que muitas vezes compensou derrotas expressivas em outras regiões. Mas toda relação política duradoura também passa por avaliação.
Fica o questionamento: o que os governos do PT entregaram ao Nordeste correspondeu à intensidade desse apoio histórico? Os avanços sociais e econômicos ainda pesam mais do que as frustrações recentes?
Em 2026, a dúvida central talvez não seja se o Nordeste votará majoritariamente em Lula, mas com qual força. A região repetirá a mobilização decisiva de eleições anteriores ou sinalizará desgaste após anos de apoio contínuo?
Num cenário nacional apertado, a intensidade — e não apenas a preferência — pode definir o resultado final nas urnas. A pergunta do post do Lázaro é “o Nordeste vai continuar votando em Lula, mas com a mesma intensidade?”. Nos comentários, a maioria não discute “intensidade” com calma: vira torcida, com previsões categóricas (“lapada”, “tetra”) e acusações morais (“corrupto”, “bandido”). Analise das respostas.
1) O que os leitores “pensam”, em blocos de opinião
Bloco A — Pró-Lula
Ideia central: Lula “fez pelo Nordeste” e por isso a região repetirá (ou ampliará) o apoio.
Como argumentam:
Políticas sociais e “comida na mesa” (Minha Casa Minha Vida, programas sociais).
Antibolsonarismo: “nos livrou da extrema direita”, “rachadinhas”, “descaso do governo anterior”.
Tom típico: linguagem de estádio — “tetra”, “lapada”, “no 1º turno”.
Bloco B — Anti-Lula/Anti-PT
Ideia central: o Nordeste estaria preso num ciclo (pobreza/violência/serviços ruins) e o voto em Lula seria dependência/“clientelismo”.
Como argumentam:
“Depois de tantos anos, continua pobre” (resultado prático não apareceu).
Bolsa Família como “fidelização” .
Corrupção como argumento-mãe .
Tom típico: moralização e ataque pessoal, frequentemente com ofensas .
Bloco C — Pró-Flávio Bolsonaro (alternativa à esquerda)
Ideia central: “22” como marca identitária e previsão de virada (“vai atropelar”).
É mais sinalização de lado (“time 22”).
Bloco D — Pró-Lula, mas cobrando o Nordeste
Gente que diz votar em Lula, mas reclama que investimento vai mais para Sul/Sudeste e que o Nordeste deveria “bater nessa tecla”.
2) Contagem de inclinação
Anti-Lula/Anti-PT: ~64
Pró-Lula/PT: ~35
Pró-Lula, mas cobrando mais investimentos no Nordeste: ~1
Pró-Flávio (22): ~8
Indefinidos/sem conteúdo claro: ~10
Há mais comentários anti-Lula do que pró-Lula nessa amostra, e uma fatia menor explicitamente pró-“22”. Isso não mede o Nordeste.
3) O ponto mais importante: quase ninguém respondeu exatamente ao post
O post pergunta “força do apoio” (mobilização) e “balanço entrega × voto”. Os comentários, em vez disso, caem em 3 trilhos:
Narrativa de gratidão/entrega (pró-Lula)
Narrativa de dependência/engano (anti-Lula)
Guerra moral e identitárias (corrupção, xingamentos, memes)
É como discutir qual time é melhor em vez de discutir por que o time ganhou ou perdeu.
4) Qualidade do debate
Alta polarização: previsões absolutas (“vai ser fácil”, “sem dúvidas”) e pouco espaço para nuance.
Ofensas e desumanização: isso aparece bastante e indica que parte do público está em modo “briga”, não “análise”.
5) Conclusão objetiva
O que os leitores mostram é:
Pró-Lula: crença forte de que políticas sociais justificam repetir o voto e que a região seguirá decisiva.
Anti-Lula: crença forte de que o Nordeste continua atrasado e que o voto no PT é movido por benefícios/controle político, além de corrupção.
Minoria pró-22: usa “Flávio 22” como bandeira.
