
Emir Gurjão
Pós graduado em Engenharia Nuclear; ex-professor da Universidade Federal de Campina Grande; Secretário de Ciências, Tecnologia e inovação de Campina Grande; ex-secretário adjunto da Representação do Governo da Paraíba, em Campina Grande; ex-conselheiro de Educação do Estado da Paraíba.
Farmacêuticos: uma solução imediata e já disponível para ampliar o acesso à saúde no Brasil
Publicado em 20 de fevereiro de 2026Crise no atendimento Medico –
No Brasil ao mesmo tempo em que milhões de pessoas têm dificuldade de acesso rápido ao atendimento médico, existe uma rede já instalada, qualificada e subutilizada — os farmacêuticos.
Leis para permitam que farmacêuticos atuem plenamente dentro de sua formação. O resultado seria : mais acesso, menor custo e redução da sobrecarga sobre hospitais e médicos.
O Brasil já possui uma infraestrutura pronta e distribuída em todo o território, 100 mil farmácias no Brasil, presentes em praticamente todos os bairros urbanos e em muitos municípios onde o acesso médico é limitado, representando um ponto potencial de atendimento básico de saúde.
Diferente da construção de hospitais ou da formação de novos médicos — que leva mais de uma década — essa estrutura já existente , está equipada e conta com profissionais com formação universitária completa.
O farmacêutico não é um atendente comercial. É um profissional graduado em um curso de cinco anos que inclui disciplinas como fisiologia, farmacologia, patologia, microbiologia e interpretação de exames laboratoriais.
Em termos práticos, o farmacêutico é o maior especialista no uso seguro e eficaz de medicamentos
Hoje, no Brasil, o farmacêutico já possui autorização legal para: ( aqui tirei essa informação do conselho dos farmacêuticos),tais como:
interpretar exames laboratoriais
administrar vacinas e medicamentos injetáveis
avaliar sintomas menores
prescrever medicamentos isentos de prescrição
acompanhar terapias medicamentosas
No entanto, sua atuação ainda é limitada por regulamentações que não refletem plenamente sua formação.
Isso cria uma situação paradoxal: o profissional tem o conhecimento, a estrutura está disponível, o paciente está presente — mas a legislação impede que o atendimento seja plenamente realizado.
O impacto direto sobre o sistema de saúde
Grande parte das demandas que hoje sobrecarregam o sistema de saúde envolve condições simples e bem definidas, como:
infecções leves
dor leve a moderada
refluxo
alergias
infecções urinárias não complicadas
acompanhamento de hipertensão e diabetes
ajustes de medicamentos
Essas condições não exigem procedimentos complexos, mas exigem avaliação qualificada e intervenção correta
Permitir que farmacêuticos atuem plenamente dentro de sua formação ampliaria imediatamente a capacidade assistencial do sistema de saúde brasileiro, sem necessidade de construir novos hospitais ou formar novos profissionais.
Isso não substitui o médico e sim que o médico concentre seu tempo nos casos mais complexos, onde sua formação é essencial.
A atuação farmacêutica não significa ausência de controle , farmacêuticos são regulados por conselhos profissionais, sujeitos a normas técnicas, responsabilidade civil e ética.
Casos mais complexos continuariam sendo encaminhados ao médico.Os benefícios seriam imediatos:
redução do tempo de espera por atendimento
maior acesso em regiões com escassez médica
redução da sobrecarga no SUS
redução de custos públicos
maior segurança no uso de medicamentos
melhor acompanhamento de doenças crônicas
Profissional de saúde mais acessível ao cidadão.
Transformar essa acessibilidade em atendimento qualificado é uma evolução natural do sistema, para ampliar o acesso, permitindo que os profissionais já existentes atuem plenamente dentro de sua formação.
Ignorar esse potencial é manter um gargalo artificial em um sistema que precisa urgentemente de eficiência.
Liberar a atuação farmacêutica dentro de limites técnicos não é apenas uma modernização regulatória. É uma solução que já está pronta — basta permitir que funcione. Alinhada com a realidade da formação profissional e das necessidades da população.
