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Antigas instalações de curso fomentam minhas nostalgias prediais

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Eu sinto — e acredito que todo vivente da espécie humana também — uma nostalgia predial quando passo em frente ou nas proximidades de edificações onde vivi períodos longos e passageiros de minha vida. Onde morei, onde estudei, onde trabalhei, onde fui cliente, onde passeei… tudo provoca essa nostalgia momentânea que, paradoxalmente, não me causa melancolia, desde que esteja em bom estado de conservação ou restauração.

Essa nostalgia positiva me foi aflorada ao ver a reportagem sobre o Gigantão da Prata, onde estudei por quatro anos. Ao contrário, quando passo em frente ao prédio onde fiz o curso superior — e frequentemente contemplo a sua frontaria — sinto uma espécie de desalento pelo estado de abandono em que se encontra. Não sinto, no entanto, uma nostalgia negativa, apenas um abatimento momentâneo, passageiro. Como minha passagem pela sua rua.

Estudei por cinco anos no Curso de Comunicação Social da antiga URNE, hoje UEPB, que funcionava no bairro de São José, fazendo fronteira com o Hospital Universitário Alcides Carneiro (HUAC), antigo Ipase. Nas suas salas de aula, encontrei mais do que o canudo que buscava; encontrei a mulher com quem subiria ao altar, e estamos caminhando para festejar 40 anos de casados.

Além do diploma, a certidão divina fortalece ainda mais a memória afetiva do local. Inúmeras vezes cruzando a rua Pedro I, ao passarmos em frente ao prédio, eu e Margarida, agradecidos, já dissemos um ao outro: foi aí que nos conhecemos.

A construção do conjunto predial que abrigava o Curso de Comunicação, dentro de um terreno triangular com muros confrontando três ruas, formando rara triplicidade esquinal, sempre me chamou a atenção. Não pelo projeto arquitetônico em si, mas pelo espaço aproveitado, possibilitando estacionamento para vários carros e a tranquila passagem de pessoas às salas de aula.

Sempre que passo em frente ao prédio, vejo-o entregue ao abandono, sem nada funcionar, aparentemente. Em anos passados, ouvi conversas de que ele servia como depósito do Poder Judiciário. Informações recentes garantem estar em negociação a cessão de toda estrutura ao HUAC, no sentido de proporcionar a necessária ampliação da tradicional casa hospitalar.

Decerto, é o melhor destino que suas instalações podem ter. Torço pela concretização desse acordo, embora entenda que qualquer definição que garanta sua reforma é bem-vinda. Mas a saúde deve ser prioridade. Como a união a dois, no casamento. Por isso que vamos celebrar, este ano, Bodas de Carvalho.

Redação A Palavra

Equipe de jornalismo do A Palavra Online.

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