Júnior Gurgel

Jornalista político, memorialista e Ghost writer. Ex- diretor de Jornais e Emissoras de Rádio na Paraíba, com atuações no Radiojornalismo.

OS DESAFIOS DE LUCAS RIBEIRO

Publicado em 22 de janeiro de 2026

O veto de alguns milhões de reais, destinados a emendas parlamentares para serem executadas no orçamento 2026, é um dos inúmeros abacaxis que será deixado pelo governador João Azevedo, cabendo a Lucas Ribeiro com habilidade e destreza começar a descascá-los com rapidez e em pouco tempo. São recursos que já foram prometidos pelos deputados estaduais às suas bases. O não cumprimento compromete suas reeleições. Dinheiro o Estado tem, são 8,9 bilhões de reais em caixa.

Provavelmente, Lucas Ribeiro talvez imagine que basta dar continuidade a gestão “bem avaliada” de João Azevedo para alcançar o segundo turno. Um grande equívoco. Se permanecer com o atual estilo de governar, distante da classe política, não logrará êxito.

Pensando exatamente o oposto, as forças políticas se preparam para um recomeço. O jogo é outro e o time só vencerá se estiverem juntos, suando a camisa.

O apoio de lideranças expressivas é fundamental para chegar ao segundo turno. A gestão tem que ser compartilhada com o Parlamento estadual, sob comando do presidente da ALPB, Adriano Galdino, que ora se mantém à distância, por falta de convite para opinar, sugerir e apontar caminhos que estreitem mais a aliança com o Republicanos. A transição vem sendo conduzida apenas pelo deputado federal Aguinaldo Ribeiro, e os “Três Mosqueteiros” de João: Deusdete, Ronaldo Guerra, Nonato Bandeira e, correndo pelos lados, Daniella Ribeiro.

No clássico da literatura de Alexandre Dumas, os três Mosqueteiros também são quatro: Athos, Porthos, Aramis e D’Artagnan.

Os holofotes estão iluminando só o PT e o PSB. O PT (rachado) não conta com sua principal estrela, ex-governador Ricardo Coutinho. Lucas é apoiado pelo cansado e claudicante Luíz Couto. O PSB está se dissolvendo, perdendo quadros importantes que hoje ocupam vagas na Casa Epitácio Pessoa. Seus dois principais nomes, para compor a chapa de deputado federal, estão inelegíveis. Pollyanna Dutra, com contas rejeitadas pelo TCU, e Fábio Tyrone, condenado com trânsito julgado em segunda instância, terá seu registro de candidatura impugnado pelo TRE-PB. Lei da Ficha Limpa.

Olhando no retrovisor da história, a candidatura de Lucas Ribeiro (no momento) é absolutamente semelhante à de Roberto Paulino (2002). A diferença está na posição de João. Zé Maranhão já estava eleito desde o dia que passou o governo para Roberto Paulino. O segundo senador seria Wilson Braga, que perdeu no dia para Efraim Morais. João não desfruta hoje a mesma performance de Maranhão. Roberto Paulino não mexeu no tabuleiro do xadrez político. O Estado tinha dinheiro e ele a capacidade de atrair insatisfeitos, indecisos e adversários. Por que não o fez?

Roberto Paulino não nomeou um único secretário de sua própria escolha. As mudanças foram feitas por José Maranhão, que diariamente – mesmo fora do governo – conferia todos os saldos das contas do Estado. Com quatro adesões de peso, Paulino teria vencido no primeiro turno. No segundo turno, esteve eleito. Mas, ignorou a votação de seu adversário, Avenzoar Arruda (PT), 200.632 votos, 12,57% do dos votantes. Cássio venceu com 51,35%. Roberto Paulino alcançou 48,65%. Se tivesse prestigiado Avenzoar, dando-lhes poderes para lotear o governo, teria vencido o pleito. Em tempo: sábios são aqueles que aprendem com os erros dos outros.