
Valberto José
Jornalista, habilitado pelo curso de Comunicação Social da Universidade Regional do Nordeste (URNE), hoje UEPB. Colunista esportivo da Gazeta do Sertão e d’A Palavra, passou pelo Diário da Borborema e Jornal da Paraíba; foi comerciante do setor de carnes, fazendo uma pausa de 18 anos no jornalismo.
Registrando a chegada apressada de Maria Clara: a beleza de um parto em casa
Publicado em 14 de janeiro de 2026Princesa não avisa quando vai chegar, feito senhora da precisão do tempo. Na pressa inocente, Maria Clara acabou fazendo surpresa, chegando sem dar nenhum sinal aos avós e ignorando a palavra latina ‘obstare’, que sua mãe tanto traduziu em suas três gestações. Os ponteiros do obsoleto relógio da cozinha de nossa casa já se inclinavam à união da meia-noite quando o celular do meu amor anunciou que ela acabara de nascer.
Afora uma preocupaçãozinha mais psicológica do que real, na sexta-feira Morgana de nada se queixou, no sábado e nem no domingo dia 4. Neste dia, a matilha que hospedamos fez Margarida acordar “mais cedo do que a barra da aurora”, como nos versos de Asfóra, o que a motivou a se deitar por volta das 20h.

Eu, que conseguira dormir à tarde, ainda me encontrava desperto quando o celular deu o primeiro toque. Antes do toque esperado, minha mulher despertara com os grunhidos insistentes de um hóspede; sonolenta, ela ajeitou o dog e entrou no banheiro, quando o toque de chamada do aparelho disparou.
“É Gustavo avisando que Morgana vai para a maternidade”, pensei. Ledo engano o meu. Deitado como eu estava, deu para ouvir a voz do genro, dizendo: “Dona Margarida, venha para cá, que Morgana já teve neném”. A emoção dos avós foi conjunta. Em tempo recorde chegamos à casa da filha.
Maria Clara veio ao mundo às 23h25 do domingo, dia 4 de janeiro de 2026, nos fazendo sentir a presença viva de Deus em nossas vidas, em mais um derrame de graças em forma de consolação e conforto. Sim, um janeiro. De dores, de perdas, e de tantas saudades.

Quando a enfermeira chegou, ela já tinha nascido. No início do mês, portanto, de acordo com a previsão. E em casa, sem a equipe obstétrica; quem a pegou foi o pai, que de provável coadjuvante foi protagonista. E que protagonista! Lindo, contagiante até, ver a felicidade de Gustavo estampada no seu rosto, na amplidão de seu sorriso espontâneo.
A persistência da pressão alta na parturiente foi determinante para que a profissional da saúde orientasse levar mãe e filha ao hospital; as duas amanheceram bem o dia. Maravilhoso o encontro de Miguel e José com a irmãzinha na maternidade no final da tarde da segunda-feira. Cercaram-na de cuidados e carinho, às vezes exagerados, e beijinhos. “Vou mostrar ela a Padre Rodolfo”, disse Miguel, depois de muito se encantar com a maninha.
Vejo refletida na minha filha Morgana a fé e a vocação maternal de minha mãe. Certamente, a neta que mais herdou a religiosidade de Dona Cleonice e sua capacidade conceptiva parental. “É muito bom quando uma parturiente se prepara física, psicologicamente e mentalmente para o parto”, disse a médica de sua segunda gestação.
Se eu disser que ela herdou da avó, que gerou 13 filhos, a disponibilidade em números de gestação, estou exagerando. Por mais que ela diga que queira mais filhos ou o que Deus mandar, jamais vai chegar a esse número. Não me surpreende se ficar no trio ou ter mais um ou dois.
