Marcos Marinho

Jornalista, radialista, fundador do ‘Jornal da Paraíba’, ‘Gazeta do Sertão’ e ‘A Palavra’, exerceu a profissão em São Paulo e Brasília; Na Câmara Federal Chefiou o Gabinete de Raymundo Asfóra e em Campina Grande já exerceu o mandato de Vereador.

Vitalzinho, orgulho “três em um” brasileiro

Publicado em 13 de janeiro de 2026

Dos políticos da safra mais nova com os quais convivi, posso assegurar que Vital do Rego Filho é, sem dúvidas, o mais exemplar. E olha que afirmar isso, em tempos de um Brasil tão avacalhado como o de hoje, é de fato algo pra lá de surreal…

Vitalzinho ontem, mais uma vez por exemplo, agiu de modo grandioso ao portar-se na condição de presidente do Tribunal de Contas da União (TCU), nesse imbróglio envolvendo o Banco Central, não apenas como magistrado, mas sobretudo como elegante diplomata, de causar inveja em qualquer chanceler mundial.

O homem incorporou a uma só vez três distintos personagens: o POLÍTICO, que no dizer pretérito de Dércio Alcântara era de subir em azulejo ensaboado sem escorregar…; o ADVOGADO DIPLOMATA, que ao estilo inigualável do saudoso genitor dava soluções aos gigantes problemas sem deixar arestas; e o MÉDICO que o é, fazendo milagres sem carecer de bisturi nas mãos.

Vejamos:

Vital antes de ampliar a reunião que promoveu com o chefe do Banco Central, Gabriel Galípolo, fez uma conversa a portas fechadas com o chefe da autoridade monetária e em seguida, ao resumir o tom a aliados e demais integrantes da corte, foi claro: disse a Galípolo que era preciso, por óbvio, preservar a autonomia do BC, mas também dar uma saída honrosa para o TCU, sob intenso desgaste desde que o seu colega ministro Jhonatan de Jesus, ensaiou partir para cima da autarquia.

Segundo o UOL, quem ouviu o relato saiu com a certeza de que a ideia de Vitalzinho era mesmo a de encerrar o assunto e colocar uma pedra em cima. E rápido.

A complexa dinâmica do paraibano levou-o, antes que isso ficasse claro a todos os envolvidos, a passar para a segunda etapa da reunião, agora ampliada, que incluía auditores do tribunal e o personagem central da controvérsia, Jhonatan. Ao pegar a palavra, o ministro deixou evidente o incômodo que vinha sentindo com o que chamou de “ataques pessoais” desmesurados diante de sua atuação.

No momento de maior constrangimento alheio, Jhonatan chegou a dizer que estava tendo sua capacidade de atuar na mais alta corte de contas e auditoria do país questionada por ter formação em medicina. “E não é verdade”, emendou o ministro. “Eu também sou formado em administração.”.

O TCU é reconhecido pela capacidade técnica de seu funcionalismo público. Os auditores da corte são reconhecidos como a elite da análise de técnica legislativa e contas públicas do país. Muitos dos maiores especialistas da corte na análise de fraudes bancárias estavam na sala de reuniões naquele momento. Vários dos presentes voltaram os olhos ao chão.

Galípolo também falou. Disse que, obviamente, o Banco Central não se considerava inauditável e que a autarquia estava aberta ao time que cuida da área, os técnicos da denominada AudiBancos, “naquilo que compete à corte, não violando sigilos de negócios”.

Vitalzinho, ainda segundo relatos do UOL, voltou a fazer uma interjeição. Disse que era preciso, então, pactuar um “procedimento”. Na prática, o que iria acontecer?.

E surgiu o inesperado resultado. A preço de hoje, o roteiro é o seguinte: o Banco Central vai encaminhar uma série de relatórios ao corpo técnico do TCU, do AudiBancos, detalhando o novelo de fraudes que levaram a autarquia a intervir e liquidar o Banco Master.

A equipe, que já na reunião com Vitalzinho disse ter “atestado a qualidade técnica” do trabalho do BC, vai avalizar a liquidação e lançar propostas para aprimorar o arcabouço de fiscalização de “instituições financeiras” —assim mesmo, no geral, sem pessoalizar.

O TCU tem pressa em encerrar o caso. A previsão é a de que a tentativa de colocar o trabalho do BC sob questionamento seja sepultada ainda em fevereiro, em decisão majoritária —provavelmente unânime na corte de contas.

Depois da reunião, a assessoria do ministro Jhonatan emitiu uma nota. “A reunião institucional realizada nesta segunda-feira entre autoridades do TCU e do Banco Central ocorreu em tom amistoso e cooperativo. Na ocasião, houve alinhamento quanto à competência do TCU para fiscalizar atos do Banco, respeitados o sigilo documental e a discricionariedade técnica da autoridade monetária. A inspeção seguirá os trâmites regimentais normais, respeitado o devido processo legal. O diálogo fortalece a segurança jurídica e a estabilidade das decisões públicas.”.

E o que rapidamente se organizava para uma crise entre BC e TCU, com resultados imprevisíveis, mas desastrosos principalmente para a Corte de Contas federal, acabou em exemplar encontro de contas, com equilíbrio, sabedoria e vitória dobrada para ambos os lados.

A mim, particularmente, guardo agora a alegria e o orgulho imensos de ver o conterrâneo brilhar em todos as telas dos principais telejornais do País e nas manchetes de todas as grandes mídias impressas nacionais.