
Marcos Marinho
Jornalista, radialista, fundador do ‘Jornal da Paraíba’, ‘Gazeta do Sertão’ e ‘A Palavra’, exerceu a profissão em São Paulo e Brasília; Na Câmara Federal Chefiou o Gabinete de Raymundo Asfóra e em Campina Grande já exerceu o mandato de Vereador.
O triste ocaso da Expresso Real!
Publicado em 8 de dezembro de 2025Minhas mais recentes idas e vindas entre Campina e João Pessoa, a efervescente capital brasileira da vez, acabam de me revelar uma triste realidade – a do ocaso da empresa Expresso Real, elo que me parecia inquebrantável entre o Açude Velho e as praias de Tambaú e Cabo Branco.
Cruzar a BR 230 saindo cá da Estação Rodoviária velha, centro de Campina Grande, para chegar na Estação também velha lá de João Pessoa duas horas depois, no Varadouro, era o mais importante e belo passeio da vida de qualquer adolescente pobre como eu desse mundo cheio de cores de Ricardo Coutinho, Dona Lourdes Ramalho, Virgilio Brasileiro, Creuza Pires e Tião Lucena!

Molhar os pés nas mornas águas do Oceano Atlântico era sim senhor um privilégio bem mais saudável do que atolar-se nas lamas do Bodocongó em busca de piabas para ajudar na mistura do insosso feijão com arroz de cada dia…
De sorte que ir a João Pessoa no conforto de um Ciferal da Real, e que não era luxo dado a qualquer um naqueles idos da nossa juventude, era bem melhor – penso eu – do que hoje pegar um Emirates e desembarcar em Dubai…
Era esse o meu mundo feliz, de uma geografia encurtada, porém imensamente maravilhosa.
É verdade que os tempos não voltam… Mas as saudades, estas sim, permanecem vivas e muito presentes, a clarear nossa memória e comparar os ontens com esses hojes tão difíceis e complicados.
Habitualmente, me desloco a Jampa pelo menos três a quatro vezes em cada mês. E por isso, na condição de cliente dos Britos, tenho a autoridade de levar-lhes, especialmente a Waltito, que comigo dividiu assento no Legislativo campinense, não somente as preocupações com a vida da Expresso Real, mas sobretudo o apelo do passageiro que espera ter um serviço de melhor qualidade nessa rota que me parece ser a mais lucrativa de todas as demais rotas rodoviárias da Paraíba.
É raro o dia em que os ônibus da Real saem das plataformas de cá ou de lá na hora certa. De cinco a quinze minutos, no mínimo, é o tempo do atraso, problema que deveria ser resolvido pela direção do DER, órgão estadual a quem cabe administrar a política do transporte terrestre de passageiros em solo paraibano, ou mesmo de modo suplementar e superior a ANTT, estatal federal que os irmãos Rego conseguiram botar na “boquinha” para geri-la um estranho ser da coisa, o ex-secretário municipal campinense Alex Azevedo, engravatado cumpridor de recados dos filhos de Nilda Gondim.
Aliás, é bonito ver as duas ou três camionetes cabines duplas, zero KM, com a marca azul da ANTT estacionadas em áreas estratégicas das nossas duas principais rodoviárias a mostrar ao paraibano que o mano da minha amiga Eledite, o filho de Seu Nezinho Azevedo, é agora o chefão absoluto da repartição, embora para o lado de cá (da Paraíba) ainda não tenha mostrado nenhum serviço que não apenas esse de botar as viaturas no raio de visão dos passageiros estaduais da Paraíba.
Mas, deixe-se pra lá essa naturalmente desnecessária pompa de Alex, pois meu tema hoje é a Real, jamais o vassalo da realeza…
Entendo que a frota da Expresso Real, empresa detentora da concessão de uma rota icônica (fatura só com passagens dessa rota uma média mensal em torno de R$ 4 milhões), já deveria ter sido totalmente renovada. Afinal, são 34 viagens entre as duas cidades a cada dia, sem contar as da rota João Pessoa/Monteiro, com baldeação em Campina Grande, onde desembarcam e embarcam passageiros para a Capital e vice-versa.
De ônibus novos, se muito forem não passam de meia dúzia. Eu mesmo, nesses últimos seis meses, viajei apenas uma vez num ‘double deck’ com cheiro de novo, reservados para viagens turísticas de aluguel… Todas as demais viagens, apenas as fiz nos sucateados amarelinhos. Em três ocasiões, deram prego antes da entrada da Fazenda Maria da Luz. Menos mal, pois em 20 minutos uma outra sucata amarela, o tal de ‘ônibus reserva’, chegou para nos levar ao destino.
O ruim é quando o carro quebra depois da Tapioca do Irmão Firmino…
Em casos assim o ‘ônibus reserva’ nunca é acionado. Ainda semana passada eu e demais sofridas pessoas que não temos outra opção a não ser a da Expresso Real, tivemos o desprazer de vermos o nosso já lotado transporte ser entupido por mais 45 passageiros procedentes de Monteiro que há mais de meia hora esperavam passar pelo local o ônibus do horário que saíra de Campina.
Idosos, crianças de colo, muita bagagem e só nesse translado lá se foram mais 20 minutos até que toda gente pudesse se empoleirar…
Nos ônibus da nossa REAL BUS já não existem mais ‘porta-trecos’ colados na traseira dos bancos para a gente guardar uma carteira de cédulas, um aparelho celular, qualquer outro pequeno utensilio que levamos na viagem; os cintos de segurança, obrigatórios em veículos, de acordo com a legislação nacional, raros são os que conseguem ser atados para segurança do passageiro; o sistema de internet (WI FI), ferramenta hoje disponibilizada desde os ônibus da Viação Guanabara até os da Viação São José ou Rio Tinto, há tempos foram retirados dos amarelinhos do saudoso Walter Brito pai.
Pela importância econômica e populacional de Campina Grande e João Pessoa, acho chegada a hora do Governo do Estado abrir concorrência para oferecer nova empresa nessa rota, evitando inclusive a debandada de passageiros para os incontáveis blá-blá car que socorrem a população no ir e vir à Capital paraibana.
Lamento botar esse tema em discussão, por conta da afinidade que tenho com alguns dos Britos da Real. E mais lamento por que constata-se que a morte do patriarca da empresa muito mal a ela fez. Em empresa familiar, assim como a REAL BUS, o comum é que as gerações sucessoras mais se dediquem e melhorem o serviço, ao invés de torná-lo péssimo, como vem acontecendo com a REAL.
Como bem diz o confrade jornalista Gutenberg Cardoso, “pelo sim, pelo não, esta é a minha opinião.
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E convido você, leitor amigo, a assistir esse vídeo, postado por quem viaja o Brasil inteiro e sabe das coisas.
Não estou só!
