Júnior Gurgel

Jornalista político, memorialista e Ghost writer. Ex- diretor de Jornais e Emissoras de Rádio na Paraíba, com atuações no Radiojornalismo.

MUDANÇAS RADICAIS E ERROS DO LULA III (PARTE IV, FINAL)

Publicado em 7 de dezembro de 2025

A mensagem enigmática do bruxo Zé Dirceu, em nota divulgada pela mídia após a eleição de Dilma Rousseff, deixou pistas de que Lula iria pendurar as chuteiras. “Enfim um dos nossos chegou ao poder”. O espírito guerrilheiro, que nunca morreu em Dirceu, saudava sua companheira de luta, prisão, tortura e exílio. Lula tinha sido o “fantoche” ideal em 2002. Mas, no “mensalão” foi mais esperto. Dirceu voltou à cadeia, não como um herói combatente ideológico (comunista), mas como um desprezível corrupto, ladrão que enganou o povo, roubando seus sonhos e seu suado dinheiro. A única chance de terminar seus dias de vida rico, e fora das grades, era a companheira Dilma.

Os expurgos no governo Dilma, desbaratando as quadrilhas de corruptos instaladas no governo Lula, puxaram o tapete do festejado petista, que se orgulhava de ter sido considerado “o cara” pelo popular presidente norte-americano Barack Obama. O operário que se tornou presidente andou próximo de alcançar a OEA. Entretanto, internamente, a mídia começou a esquecê-lo. Dilma não aceitou Franklin Martins (Globo) como seu ministro das Comunicações. Ouvia e se orientava pelos conselhos de Zé Dirceu, que se vingou de todos que lhe deram as costas, e o deixaram na “papuda”. Período que nem Lula atendia seu telefone, como ele próprio confessou.

Empresários, banqueiros, senadores, deputados federais e ministros de Estado, ligavam para Lula e cobravam a quebra de compromissos da candidata, que eles haviam ajudado eleger. Dilma não atendia Lula. Quando exonerava um dos seus indicados esperava ele escolher o próximo, para em seguida guilhotiná-lo. O ex-sindicalista terminou esquecido pela mídia. Para Dilma ser reeleita, Lula teria que ser deslembrado. Dirceu aconselhou a presidenta a botá-lo para andar fora do País. Tornou-se um “grande palestrante”, vendedor de prosperidade, patrocinado pelo grupo dos “campeões” – empreiteiros e empresários subsidiados pelo BNDES – com juros abaixo da taxa Selic.

Mandava o dinheiro e a empresa para fazer a obra, em países comandados por ditadores. Nos custos, uma aloprada propina para Lula. Alan Garcia caiu na armadilha. Antes de ser preso, deu um tiro no ouvido.

Dilma indultou Zé Dirceu, perdoando todos os seus crimes no mensalão. Paradoxalmente, não fez nenhum esforço para evitar que a Lava-Jato chegasse até Lula. Quem reelegeu Dilma? Dias Toffoli, presidente do TSE, “menino de recado” de Zé Dirceu, que o pôs no STF. O que Zé Dirceu e Dilma não esperavam foi o fatídico e prematuro falecimento do ex-ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos. O PGR Rodrigo Janot devia-lhe a indicação. Um acordo de leniência estava negociado. Os “campeões” devolveriam 2,0 bilhões de reais e a Lava-Jato seria encerrada. Dilma ganhou fôlego quando pôs seu pupilo Fernando Haddad no Ministério da Educação, para o eleger prefeito de São Paulo quebrando um jejum de mais de uma década, quando os paulistanos derrotaram Marta Suplicy e esqueceram Luíza Erundina.

Em seu lugar no MEC foi nomeado Aloizio Mercadante, de quem recebia conselhos e tornou-se um superministro. Seria seu candidato à sucessão em 2018.

O trabalho para “descondenar” – e não “inocentar” – Lula, foi obra de Zé Dirceu. Preso novamente pela Lava-Jato, o ex-guerrilheiro “capitalista” era o CEO de uma empresa de consultoria que viabilizou empréstimos do BNDES a países falidos como Cuba, Venezuela e Bolívia. Permitiu inclusive que Evo Morales nacionalizasse a mega estrutura da Petrobras, que explora gás boliviano, vendido no Brasil. A nação perdeu bilhões de reais. Mas, alguém ganhou na operação.

Dirceu deixou a cadeia antes de Lula. O STF anulou uma PEC que determinava cumprimento de pena para condenados em segunda instância. Soltaram Lula. Edson Fachin, sabatinado por Dirceu e nomeado por Dilma, foi mais além. Questionou o “foro” que condenou Lula – Justiça Federal de Curitiba – e considerou que o réu deveria ter sido julgado em Brasília (?). Residência e domicílio eleitoral de Lula é em Santo André (SP).

A escassez de nomes nas esquerdas, e principalmente no PT, levou Dirceu a optar pela escolha de Lula mais uma vez. O que ocorreu na campanha (2022) dispensa comentários. As urnas eletrônicas, e o presidente do TSE, pela segunda vez elegeram um presidente. Dirceu esperava sua volta à Casa Civil. Nunca foi convidado. Já tinha se livrado de duas cadeias, e seu nome estava limpo no “Serasa” da Justiça.

Poderia ser o sucessor de Lula (2026). Mas, enganou-se. O aprendiz de comunista, vestindo pela primeira vez uma “Guayabera”, mostrou que pretendia morrer no poder, como Fidel e Chávez. Para Dirceu, agora é tarde demais. O Lula III errou muito, e o PT está fadado a ter o mesmo destino do peronismo e do chavismo.