
Júnior Gurgel
Jornalista político, memorialista e Ghost writer. Ex- diretor de Jornais e Emissoras de Rádio na Paraíba, com atuações no Radiojornalismo.
MUDANÇAS RADICAIS E ERROS DO LULA III – (Parte II)
Publicado em 4 de dezembro de 2025Ao se instalar a crise do “mensalão” – governo Lula I – a oposição (minoria) partiu para conseguir o número necessário de assinaturas, regimentalmente exigido para protocolar um pedido de impeachment. Deputados assinavam, mas quando liberavam suas emendas, retiravam as subscrições. Lula chorava, andava com terço no punho, e na lapela uma imagem de Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil. “Não sei de nada, não vi nada, nunca me informaram o que estava acontecendo” (?).
Procurado por Lula, Sarney entrou em cena para salvá-lo. Conversou com o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, argumentando que a democracia brasileira não sobreviveria a dois impeachment’s, em pouco mais de dez anos. Os militares poderiam voltar, via apelo popular. FHC irrefletidamente concordou, queimando sua chance de retornar ao comando do país em 2006. Os motivos do seu gesto “altruísta” jamais foram conhecidos ou divulgados. No futuro, um dia talvez, conheçamos a verdade.
Passo seguinte, a velha raposa procurou Roberto Marinho. O sistema Globo – na época pré-falimentar – estava prestes a ingressar com pedido de recuperação judicial. O comentarista político do Jornal Nacional (comunista) Franklin Martins, deixou a emissora e assumiu a Secretaria de Comunicação do governo. Devendo 5,0 bilhões de dólares em 2004, a Globo em 2010 havia quitado todos os seus débitos, e em seu balanço apresentou lucros e reservas de 20 bilhões de reais. Seu jornalismo condenou a “elite” petista do mensalão, poupando apenas Lula. Zé Dirceu, Genoíno, João Paulo, Silvio e Delúbio Soares foram responsabilizados pela corrupção. Colaram em suas imagens perfis de gatunos inescrupulosos, perigosos, que conseguiram enganar o bem intencionado e “inocente” Lula.
O bolsa família teve sua expansão acelerada – despido de critérios – e atingiu todo o Norte/Nordeste. No ano eleitoral (2006), chegou à periferia das grandes metrópoles, Rio e São Paulo. Leonardo Boff transformou a Pastoral da Terra num movimento semi-guerrilheiro, o MST. Invadiram e destruíram terras produtivas, expulsando com violência ou sob ameaças populações rurais, trabalhadores do campo que sobreviviam da agricultura. O seguro safra – ocorresse ou não inverno – os “assentados” não pagavam o empréstimo bancário, destinado ao plantio. E para quintuplicar os lucros dos bancos criou o empréstimo consignado para aposentados e pensionistas do INSS.
A única operação bancária do mundo sem riscos e com juros remuneratórios acima da poupança e taxa Selic. Um crime de usura.
A partir de meados de 2005 a mídia silenciou completamente o mensalão. Contudo, Lula mostrava-se receoso sobre as eleições de 2006. Quem o convenceu a disputar foi o próprio Congresso Nacional, que navegava em “mar de Almirante”. Lula não participou de nenhum dos debates que antecederam o primeiro turno. Sem as redes sociais, a Globo e a grande mídia convenceram o público que Lula só debateria com um dos seus opositores que alcançasse o segundo turno. Enfrentou Geraldo Alckmin, do PSDB.
Nos dois embates o “tucano” o encurralou. O chamou de corrupto, líder da gangue do mensalão, Correios e bingos. Ficou na memória popular sua acusação “o criminoso sempre volta à cena do crime”. Hoje, sem o menor pudor, posa ao lado de Lula como seu vice. Nivelou-se por baixo, traiu seus eleitores e desqualificou toda a classe política, doravante considerada oportunista. Reeleito, Lula partiu para consolidar o PT no poder.
Em 2010 era o político mais popular do País. Lançou Dilma Rousseff, foi às ruas e a elegeu. Por onde passava arrastava multidões. Lotava a Av. Paulista com facilidade.
Não existia mais oposição. José Serra, Alckmin; Antony Garotinho; Ciro Gomes, Marina Silva e Aécio Neves, foram todos derrotados pelo PT. Entretanto, a legenda nunca alcançou uma maioria esmagadora no Congresso Nacional, nem nos municípios (Prefeitos) como a ARENA (anos setenta) e o PMDB após as eleições de 1986. Havia algo de errado com as urnas eletrônicas, como denunciou o saudoso Leonel Brizola.
Na sequência, parte III.
