
Valberto José
Jornalista, habilitado pelo curso de Comunicação Social da Universidade Regional do Nordeste (URNE), hoje UEPB. Colunista esportivo da Gazeta do Sertão e d’A Palavra, passou pelo Diário da Borborema e Jornal da Paraíba; foi comerciante do setor de carnes, fazendo uma pausa de 18 anos no jornalismo.
Um pote de história
Publicado em 26 de novembro de 2025O vaso de flores em cima embeleza o pote que saciou a minha sede de curiosidade. Vaso e pote formam um conjunto de contraste, em recanto da sala de jantar da modesta casa de duas primas de minha mãe, na tentativa útil de harmonizar o passado e o presente, o antigo e o moderno. As flores ornam o ambiente, mas devem ser oferecidas a elas, por preservarem essa antiguidade familiar que armazena os primórdios da memória política campinense.
Ainda criança, conheci o pote de barro que esfriava a água que dessedentava a sede de quem morava na casa de Valdemar Araújo, tio de mãe. A mudança familiar para o Sertão, aos 12 anos, contribuiu, por mais memória afetiva que tivesse, para que eu só voltasse ao sítio de Bolar, como todos os parentes o chamavam, depois de adulto. E poucas vezes, por causa do trabalho. Numa dessas, vi que a casa era outra e mudou de lugar; o pote, não. Mantinha-se intacto.
Recordo que antes da pandemia estive lá, e o verniz desgastado do pote atiçou minha curiosidade. “Eita, o pote de Bolar ainda existe!”, comentei. Logo, Vivi, uma das primas maternas, contou a história da herança preservada. Após o processo epidêmico, estive umas duas vezes lá e não me atentei sobre esse vaso antigo

Recentemente, em pouco mais de um mês, voltei ao Estreito duas vezes por causa da saúde de Vivi, que inspira cuidados. A última, no feriado de quinta-feira, com dona Cleonice, que chegara um dia antes de mais uma viagem por Santa Catarina e São Paulo. Voltei a indagar sobre o pote, e Carminha, a outra prima, recordou toda história contada antes pela irmã.
Nunca havia me atentado sobre a minha árvore genealógica. Pouco sei em relação ao Araújo e ao Almeida, que sobrenomeiam meu nome. A história do pote me fez pesquisar sobre o Araújo e, pelo menos, tomei conhecimento de sua origem espanhola; o Almeida paterno, já sabia, é da região de Boa Vista.
Bolar, o tio de minha mãe, herdou o pote de Antônio Chagas de Araújo, pai de minha avó Maria Araújo, a quem eu chamava de Mãe Sinhá e que viveu 100 anos. O recipiente barroso fora um legado material de Francisco Camilo de Araújo ao sobrinho Antônio Chagas, o meu bisavô materno.
Francisco Camilo, sim, aquele… O primeiro prefeito de Campina Grande, que governou a cidade de 2 de março de 1895 a 7 de janeiro de 1901, e nomeia rua no bairro do Catolé.
