Júnior Gurgel

Jornalista político, memorialista e Ghost writer. Ex- diretor de Jornais e Emissoras de Rádio na Paraíba, com atuações no Radiojornalismo.

JOGO DE ENCENAÇÃO: ATAQUE SURPRESA DA DIREITA QUASE LEVA O GOVERNO LULA A SE ENCERRAR PREMATURAMENTE

Publicado em 13 de novembro de 2025

O Palácio do Planalto, demonstrando insatisfação, criticou a decisão pessoal do presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, de entregar ao deputado federal Guilherme Derrite (PP-SP) a relatoria da PEC da Segurança Pública. Capitão da PM/SP, Derrite é Secretário de Segurança do Estado (SP), licenciado, e em missão no Congresso Nacional para livrar os Estados de se submeterem às amarras que seriam impostas pelo governo, na ousada pretensão de centralizar no Ministério da Justiça todas as ações de combate às facções que dominam o narcotráfico, braço armado do crime organizado.

Hugo Motta foi rápido e preciso. Driblou o colégio de líderes, emplacou Derrite, deixando todos boquiabertos. Quem está por trás, como e por que? Como quem toma uma pancada na cabeça, o governo ficou tonto e só ontem começou a procurar (ou nomear) culpados. Apenas um dos comentaristas da grande mídia apontou equivocadamente o governador Tarcísio de Freitas, como autor da manobra. Hugo Mota atendeu um pedido direto do deputado federal Marcos Pereira, presidente de sua legenda (Republicanos), a quem deve o cargo que ora ocupa. O Republicanos tem um candidato a Presidente, e fechará questão em torno do seu nome.

Derrite cumpriu a primeira etapa de sua tarefa. Como relator, desmontou a PEC da Segurança, projeto do governo Lula. Mudou todo o texto e o transformou num “Marco Regulatório”. Esvaziou o discurso do PT, após descaracterizar esboço elaborado pelo Ministério da Justiça. O Marco Regulatório da Segurança Pública se transformou num amplo debate, (sem paternidade) doravante, bandeira do Congresso Nacional.

Ontem (12/11/2025), governadores do RJ, SC, GO, MG e vice do DF estiveram na Câmara dos Deputados. Exceto o governador Tarcísio de Freitas, estrategicamente preservado. Todos defenderam pela manhã a votação do Marco Regulatório. Porém, à tarde e para nossa surpresa, cada um tinha uma proposta diferente. Jogo de encenação perfeito. O objetivo era desviar o foco e tumultuar o ambiente. Se eles já tinham se alinhado antes, formaram um “consórcio”, por que discordaram na hora da votação? Terminaram pedindo que adiassem por mais 30 dias.

A PEC, Lula já tinha perdido. Entretanto, a verdadeira derrota que iria implodir o governo estava no vizinho “salão azul”, Senado Federal. Lá, o PGR Paulo Gonet estava sendo sabatinado. Passou na CCJ, 10 x 7, onde o governo tem maioria, com apoios do PSD, MDB. Mas, quando foi para o plenário, escapou por cinco votos. Há dois anos, Gonet obteve 65 votos. Ontem, 45, vinte a menos. O mínimo era 41. Quem salvou o governo Lula, suando a camisa, foi David Alcolumbre. Só Deus sabe o preço que cobrará pelo seu ato heroico. O voto era secreto. Em suas contas, a oposição calcula que foram traídos por sete. Após a votação, o Palácio do Planalto despertou para o risco que correu de ter encerrado o governo Lula ontem. O medo está instalado. A indicação de Jorge Messias para o STF pode ser rejeitada pelo Senado. Lula perde a governabilidade.