Polícia conclui inquérito e não indicia padre denunciado por intolerância religiosa por fala sobre Preta Gil
Publicado em 11 de novembro de 2025O padre Danilo César, da Paróquia de Areial, na Paraíba, denunciado por intolerância religiosa em fala sobre Preta Gil durante missa em julho, não será indiciado à justiça, após a conclusão do inquérito da Polícia Civil nesta segunda-feira (10).
De acordo com o Civil, após a oitiva de diversas testemunhas, a polícia entendeu que a conduta dele não é tipificada pela lei.
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Padre Danilo César de Sousa Bezerra, de 31 anos, é processado por Gilberto Gil — Foto: Reprodução/Diocese de Campina Grande/Studio Foto Braga
O caso ocorreu no dia 27 de julho. Durante a homilia, o padre citou a morte da cantora Preta Gil, nos Estados Unidos, vítima de um câncer colorretal, associando a fé dela em religiões de matriz afro-indígenas a morte e sofrimento.
“Eu peço saúde, mas não alcanço saúde, é porque Deus sabe o que faz, ele sabe o que é melhor para você, que a morte é melhor para você. Como é o nome do pai de Preta Gil? Gilberto Gil fez uma oração aos orixás, cadê esses orixás que não ressuscitaram Preta Gil? Já enterraram?”, disse.
No dia 1º de agosto, a associação que fez o primeiro boletim de ocorrência sobre o caso emitiu uma nova nota onde afirma que é contra qualquer tipo de “represália, anarquia ou violência” contra o padre e que busca “respeito mútuo”, cobrando apenas as investigações pelas falas.
O próprio cantor Gilberto Gil moveu um processo por danos morais contra o padre e a Paróquia de Areial, cobrando uma indenização de 370 mil. De acordo com o documento, os advogados da família de Preta Gil argumentam que a fixação desse valor é baseada na interpretação de que a conduta do padre foi grave e se configura em diversos crimes, como: intolerância religiosa, racismo religioso, injúria e ultraje religioso.
Também foi argumentado no processo movido por Gilberto Gil que as falas do padre Danilo César são de “alta reprovabilidade” e “referendados pela Diocese de Campina Grande”, que é a responsável pela paróquia a qual o padre é vinculado.
Fonte: G1PB
