Zohran Mamdani, democrata muçulmano e imigrante, é o novo prefeito de NY; o que isso significa

Publicado em 5 de novembro de 2025

O democrata Zohran Mamdani venceu a eleição para a prefeitura de Nova York na noite de terça-feira (4) levantando bandeiras pessoais e propostas de campanha que desafiaram o presidente dos Estados UnidosDonald Trump, e até a cúpula de seu próprio partido.

No primeiro discurso após a vitória, disse, nesta ordem, que é “jovem, muçulmano e um democrata socialista”.

E o pior de tudo: eu me recuso a pedir desculpas por nenhuma dessas coisas”, discursou.

Além do seu histórico, as principais propostas de seu governo

Zohran Mamdani foi eleito prefeito de Nova York nesta terça-feira (4), segundo projeções da imprensa americana. Aos 34 anos, Mamdani fará história ao se tornar o primeiro muçulmano a comandar a maior cidade dos Estados Unidos.

Com 90% dos votos apurados, Mamdani aparece em primeiro lugar com 50,4% dos votos. Em segundo está o ex-governador Andrew Cuomo, com 41,6%. O republicano Curtis Sliwa tem 7,1%. Diante deste cenário, a Associated Press projetou a vitória do democrata.

Nascido em Uganda, na África Oriental, Mamdani é filho de mãe indiana e pai ugandês. Mudou-se para os Estados Unidos ainda na infância e construiu carreira política no estado de Nova York. Desde 2021, é deputado estadual.

De perfil socialista e progressista, Mamdani ganhou destaque nacional pelos discursos em defesa da Palestina e pelas críticas às ações de Israel na Faixa de Gaza durante a guerra contra o Hamas.

Em 2020, ele gerou controvérsia ao chamar a polícia de Nova York de “racista” e de “grande ameaça à segurança pública”. O agora prefeito eleito pediu desculpas pelas declarações no mês passado, durante a reta final da campanha.

Carismático e com linguagem próxima dos jovens, Mamdani se projetou como um candidato popular nas redes sociais, especialmente no TikTok. Sua ascensão, no entanto, provocou divisões internas entre os democratas.

  • Setores mais tradicionais do partido consideram o novo prefeito “muito à esquerda” e distante do pragmatismo tradicional e histórico da legenda.
  • Lideranças democratas demonstraram certa resistência em apoiá-lo na campanha.
  • O ex-presidente Barack Obama, por exemplo, não declarou apoio público, mas telefonou para Mamdani dias antes da votação para elogiar a campanha.

➡️ Em uma rede social, Trump afirmou que as pesquisas indicam que os republicanos perderam porque ele não estava nas urnas e por causa da paralisação no governo. Já a Casa Branca divulgou uma arte que imitava o brasão do time de basquete New York Knicks, com a frase “Trump é seu presidente”.

Reviravoltas

A eleição de Nova York foi marcada por uma série de reviravoltas. A primeira delas veio ainda nas primárias democratas, quando Mamdani superou o ex-governador Andrew Cuomo — então favorito nas pesquisas — e garantiu a vaga do partido na corrida pela prefeitura.

  • Mamdani começou a campanha mal posicionado nas pesquisas e cresceu aos poucos ao focar no alto custo de vida em Nova York.
  • A virada começou após ele viralizar na internet e ganhar destaque como um candidato “tiktoker”, carismático e com linguagem próxima dos mais jovens.
  • Nas vésperas da votação das primárias, Mamdani ainda aparecia em segundo lugar nas pesquisas, com Cuomo mantendo certa vantagem.

Após a derrota, Cuomo decidiu concorrer como independente e recebeu o apoio do atual prefeito, Eric Adams, que desistiu de disputar a reeleição.

Durante a campanha, Trump também tentou interferir na disputa, declarando apoio a Cuomo mesmo com um republicano, Curtis Sliwa, entre os candidatos.

Mesmo enfrentando resistência dentro do próprio partido e ataques de Trump, Mamdani manteve o ritmo e liderou as pesquisas nas últimas semanas. Levantamentos mostravam vantagens que variavam de 5 a mais de 20 pontos percentuais sobre Cuomo.

Zohran Mamdani , acena para seus apoiadores após vencer a eleição para prefeito de Nova York em 2025 — Foto: Reuters/Jeenah Moon

Zohran Mamdani , acena para seus apoiadores após vencer a eleição para prefeito de Nova York em 2025 — Foto: Reuters/Jeenah Moon

Disputa nacionalizada

A rápida ascensão de Mamdani na política americana fez com que os olhos dos Estados Unidos e do mundo se voltassem para a eleição para a Prefeitura de Nova York.

O perfil carismático e popular do democrata chamou a atenção do público, com ele usando uma linguagem mais acessível e propondo soluções compreensíveis aos eleitores em problemas envolvendo moradia, transporte público e custo de vida.

O crescimento de Mamdani incomodou adversários. Republicanos passaram a chamá-lo de “comunista” e “radical”, e a campanha foi marcada por ataques de cunho religioso, relacionando Mamdani ao extremismo islâmico e aos ataques terroristas de 11 de setembro.

Logo, Trump também passou a criticá-lo. O presidente usou as redes sociais para chamar o candidato de “comunista” e “radical”. Na véspera da eleição, afirmou que, se Mamdani fosse eleito, ele cortaria recursos federais destinados a Nova York.

“É minha obrigação governar a nação, e tenho a firme convicção de que a cidade de Nova York será um completo desastre econômico e social caso Mamdani vença”, publicou.

“Prefiro muito mais ver um democrata com histórico de sucesso vencer do que um comunista sem experiência e com histórico de fracasso total”, disse, ao anunciar apoio a Cuomo.

Andrew Cuomo e Zohran Mamdani durante debate eleitoral em 16 de outubro de 2025 — Foto: Angelina Katsanis/Pool via REUTERS

Andrew Cuomo e Zohran Mamdani durante debate eleitoral em 16 de outubro de 2025 — Foto: Angelina Katsanis/Pool via REUTERS

Fonte: G1