UOL diz que canudo da UEPB que detecta metanol em bebida deve chegar ao mercado por R$ 2
Publicado em 20 de outubro de 2025Regente muda de cor em contato com metanol (Foto: UEPB).
Reportagem hoje publicada no UOL, com texto do colunista Carlos Madeiro, revela que o canudo descartável capaz de detectar a presença de metanol em bebidas destiladas, fruto de uma pesquisa de dosi anos do Departamento e do Programa de Pós-Graduação em Química da Universidade Estadual da Paraíba (UEPB), deve chegar ao mercado em breve com um valor estimado de R$ 2.
Segundo o professor e pesquisador Félix Brito, o projeto está em fase de depósito de patente no INPI (Instituto Nacional da Propriedade Industrial). Os protótipos dos canudos estão testados na Fundação Parque Tecnológico de Campina Grande, onde fica o campus da UEPB.

Professor Felix (de boné) e parte da equipe que fez a pesquisa (Foto: Divulgação/UEPB)
Devido à repercussão dos recentes casos de intoxicação por metanol em bebidas no país, o pesquisador conta que a universidade já foi procurada por ao menos duas grandes empresas interessadas em fabricar o canudo biodegradável em larga escala para comercialização.
“Como a demanda será gigante, a universidade está discutindo se repassa a tecnologia para uma empresa interessada ou se ela mesma assume a produção e comercialização, com apoio do governo, já que a cadeia produtiva desse setor é ampla e complexa. Mas a gente espera que em poucos meses o canudo esteja acessível”, diz Félix.
A ideia de desenvolver o canudo surgiu por ser um produto muito utilizado em bares e restaurantes. Félix explica que o dispositivo dá um resultado rápido, semelhante a um teste de gravidez.
“Esses canudos possuem um capilar, por onde a bebida sobe e entra em contato com uma coluna de reação colorimétrica. Se a amostra estiver contaminada por metanol, apresentará uma cor específica”, explica Félix Brito.
A proposta já foi apresentada ao Ministério da Saúde, que informou ao UOL estar analisando de forma inicial essa e outras tecnologias de detecção rápida de bebidas contaminadas.
A PESQUISA
O projeto começou visando verificar se as cachaças do estado estavam contaminadas. Foi financiado pela Fapesq (Fundação de Apoio à Pesquisa do Estado da Paraíba), que destinou R$ 725 mil, valor que permitiu a criação do Laboratório de Tecnologia da Cachaça em Campina Grande.
Ao todo, 10 pessoas atuam na pesquisa. Félix Brito, que integra o Programa de Pós-Graduação em Ciências Agrárias da UEPB, afirma que a tecnologia foi testada em 462 amostras de cachaça.
O estudo começou em 2023 no Laboratório de Química Analítica e Quimiometria. Este ano, os pesquisadores publicaram dois artigos científicos sobre o método na revista Food Chemistry, uma das principais publicações dedicadas à química e bioquímica dos alimentos.
Além do canudo, outro método desenvolvido pela universidade permite detectar metanol em bebidas ainda lacradas. Esse sistema utiliza radiação infravermelha (luz) para identificar substâncias estranhas à composição original.
“Quando a luz incide sobre a bebida, as moléculas presentes nela são alteradas nas frequências de vibração, sendo cada tipo de molécula afetada de forma distinta”, explica Nota da UEPB.
Em seguida, um aplicativo processa os dados e, conectado a uma tela, indica se há ou não a presença de compostos adulterantes, como metanol, água adicionada ou até etanol veicular.
O professor David Fernandes, autor do artigo, explica que o método foi capaz de identificar se a cachaça estava adulterada com compostos não característicos da produção. Além disso, permite detectar alterações fraudulentas posteriores, como adição de água ou de outras substâncias.
Segundo os pesquisadores, o método identifica adulterações sem uso de reagentes químicos e com 97% de precisão.
Fonte: Da Redação (com UOL)
