
Júnior Gurgel
Jornalista político, memorialista e Ghost writer. Ex- diretor de Jornais e Emissoras de Rádio na Paraíba, com atuações no Radiojornalismo.
APOIO DE LULA PARA O SENADO: BRIGA DE CARECAS POR UM PENTE
Publicado em 19 de outubro de 2025Causa perplexidade, ou no mínimo curiosidade para os observadores da cena política do quotidiano, a insana disputa entre Veneziano Vital do Rêgo, João Azevedo e agora Nabor Wanderley, na busca do apoio de Lula, para alcançarem uma das vagas no Senado Federal em 2026.
Desde 2002, Lula nunca perdeu uma eleição na Paraíba. Por outro lado, paradoxalmente, nunca conseguiu eleger um Governador ou Senador da República. Nas últimas eleições municipais (2024), dos 223 municípios apenas a cidade de Picuí elegeu um prefeito filiado ao PT, Ranieri Ferreira.
Os votos de Lula na Paraíba pertencem exclusivamente a ele, e são intransferíveis. Em 2002, Avenzoar Arruda foi candidato do PT e obteve 200.362 votos. Poderia ter avançado. Mas, foi traído e abandonado pelo próprio Lula, que se dividiu para receber o apoio de José Maranhão e Roberto Paulino (MDB), evento comemorado no comício “Abraço da Lagoa”. Eleitores de Cássio votaram também em Lula, puxados pela prefeita de Campina Grande, Cozete Barbosa.
Roberto Paulino (MDB) foi derrotado por Cássio (PSDB). Eleições 2006 Lula veio três vezes à Paraíba pedir votos para José Maranhão. Cássio Cunha Lima (PSDB) foi reeleito. Veio 2010 – Cássio cassado – Lula e Dilma pediram votos para José Maranhão. Na cadeira e com poder de caneta, foi derrotado por Ricardo Coutinho (PSB).
Em 2014, Dilma/Lula apoiaram o então senador Vital Filho (MDB), que obteve apenas 110 mil votos, evitando uma vitória de Cássio Cunha Lima (PSDB) sobre Ricardo Coutinho (PSB) no primeiro turno. Ricardo venceu Cássio. Chegando às eleições de 2018 o PT continuou sem lançar candidato na Paraíba. Seu apoio se diluiu entre Lucélio Cartaxo (PV), José Maranhão (MDB) e João Azevedo (PSB). Nunca foi possível aferir com precisão o peso da legenda no Estado. Em 2022, Veneziano Vital do Rêgo, candidato a governador apoiado por Ricardo Coutinho e Lula (PT), ficou na lanterna da disputa, atrás do radialista Nilvan Ferreira.
Na Câmara dos Deputados, desde 2002 a estrela do PT continua solitária. Dos doze representantes, só consegue eleger um. Atualmente na ALPB o PT tem apenas dois deputados estaduais. A sigla (aziaga) para a classe política estadual, contraditoriamente, é um trevo de quatro folhas, que traz sorte apenas para Lula. Ano vindouro (2026) o PT mais uma vez não apresentará candidato a governador, nem a senador.
Lá se foram 24 anos e o PT-PB não criou “musculatura” para uma disputa estadual. Tentaram duas vezes o Senado Federal. Luís Couto (2018) apoiado por Ricardo Coutinho e João Azevedo ficou em terceiro lugar. Em 2022, Ricardo Coutinho ocupou a mesma posição de Luís Couto, ficando atrás de Efraim Filho (União Brasil) e Pollyanna Dutra (PSB). Questiona-se, qual a importância ou influência de Lula numa eleição majoritária na Paraíba? Quer seja para o Governo do Estado ou Senado Federal? A corrida de Veneziano, João Azevedo e Nabor, em busca do apoio do líder petista, é uma briga de carecas por um pente. Lula na Paraíba tem se assemelhado a um pé de mandacaru, em meio ao escaldante sol do sertão: nem dá sombra, nem encosto.
