Valberto José

Jornalista, habilitado pelo curso de Comunicação Social da Universidade Regional do Nordeste (URNE), hoje UEPB. Colunista esportivo da Gazeta do Sertão e d’A Palavra, passou pelo Diário da Borborema e Jornal da Paraíba; foi comerciante do setor de carnes, fazendo uma pausa de 18 anos no jornalismo.

Terço dos Homens também é abrigo para quem retomou a sobriedade

Publicado em 18 de outubro de 2025

Na impossibilidade vocacional de compor um terceto, meditemos o Terço. Este domingo, 19 de outubro, é dia propício a esta meditação para quem habita o Planalto da Borborema, sob as bênçãos da Diocese de Campina Grande. Quem se dignar comparecer ao Colégio das Damas (pode levar sua dama), local do Encontro Diocesano do Terço dos Homens, versão 2025; antes, concentração na Praça da Bandeira às 8h, reza do Terço às 9h, peregrinação até a Catedral e missa às 10h.

Além de contemplar os mistérios da vida de Jesus e de homenagear sua mãe, participar do Terço dos Homens é uma pavimentação coletiva, lenta e gradual da estrada celestial. Espaço onde se pode deparar com pessoas que encontraram no movimento o sentido da sobriedade etílica, um ambiente onde não há qualquer incentivo ao vício. Ninguém fala, por mais que goste de um trago, em beber ou fumar.

Nunca me esqueci de quando frequentava o Terço dos Homens da Catedral diocesana e fomos convidados a comemorar data festiva do movimento em Dois Riachos, distrito de Salgado de São Félix. Combinara-se, ao se aproximar, soltar fogos avisando que estava chegando.

Ônibus parado, lotado, alguém pega os fogos e pergunta quem tem fósforo ou isqueiro. Ninguém tinha. Nenhum fumante na comitiva, deduz-se.

Conheço pelo menos cinco integrantes do Terço dos Homens com passado etílico pesado. Reencontrei Janduí no meu retorno ao movimento há pouco mais de um ano. Pai de um amigo do meu saudoso filho quando adolescentes e morando na rua por trás da minha, nem o reconheci.

Nas nossas andanças pelas comemorações de aniversários dos grupos de Terços, foi me contando seu histórico de ebriedade. Colegas laborais também me relataram suas inconveniências sob o efeito alcoólico. Uma crise hipertensiva em 2019 conscientizou Janduí a deixar a bebida.

Nem precisou de recomendação médica. “Foi coisa de Deus”, reconhece.

Se antes, aos domingos, tinha futebol como diversão e a bebida após o racha, desde então seu esporte é ciclismo. Nos finais de semana sempre participa de trilhas e quando tem ciclismo religioso na região de Campina Grande, garante presença. Recentemente esteve no Pedal da Guia, em Queimadas, e dia 12 último do Pedalando com Maria, da Paróquia de Nossa Senhora Aparecida, no bairro Presidente Médici.

A experiencia semanal de ciclismo não é empecilho à prática religiosa. Janduí costuma ir à Missa aos domingos na nossa comunidade, mas se tem um pedal mais longo, participa da Celebração Eucarística no sábado, após 16h.

Aderir à sobriedade etílica, foi caminho para o amigo se tornar um católico praticante admirável. No ano passado, crismou-se e recebeu o Sacramento do Matrimônio. Além de participar do Terço da comunidade, Janduí sempre prestigia os aniversários dos muitos grupos de Terço dos Homens existentes em nossa cidade.

O Terço dos Homens também é abrigo seguro para quem deixa o vício.