EXCLUSIVO – O Brasil na visão da China: um fornecedor distante, não um parceiro estratégico.
Publicado em 17 de outubro de 2025Para o cidadão chinês comum, o Brasil é apenas o país de Neymar. Fora dos grandes centros, é praticamente desconhecido. Economicamente útil, culturalmente irrelevante.
Esta é a constatação do professor e articulista deste portal, Emir Candeia Gurjão, feita hoje (na realidade do outro lado do mundo, já amanhã) direto de de Zhangjiajir-China, onde se encontra com a esposa Fátima, às 6:23 horas local, 19:23 horas no Brasil
Quarta ou quinta vez que viaja à China, Emir desta vez se auto intitulando “observador das relações internacionais e tecnológicas”, afirma com bastante conhecimento de causa que “a China não enxerga o Brasil”.

Ele diz que nas cidades chinesas fora de Pequim, Xangai e Shenzhen, há um silêncio geográfico sobre o Brasil.
“Taxistas, lojistas, farmacêuticos ou médicos raramente sabem o que é o nosso país. Quando sabem, mencionam um nome: “Neymar”, atestou ao assegurar ser “essa a realidade de uma nação com mais de 1,4 bilhão de habitantes que olha para dentro, para o próprio desenvolvimento, e para fora apenas quando o assunto é poder global ou tecnologia”.
Segundo Emir Candeia, “a mídia chinesa é essencialmente voltada a temas internos e às grandes potências com as quais a China disputa protagonismo: Estados Unidos, Japão, Coreia do Sul, Alemanha e Rússia”. E reafirma: “O Brasil, nesse contexto, simplesmente não aparece”.

IMPORTÂNCIA ECONÕMICA SEM PRESTIGIO SIMBÓLICO
A relação sino-brasileira é essencialmente “comercial e pragmática”, avalia o professor brasileiro.
“O Brasil exporta soja, minério de ferro, carne e petróleo; a China devolve produtos de alto valor agregado — eletrônicos, equipamentos e tecnologia”, justifica para assegurar que “a China vê o Brasil como um ‘fornecedor confiável, mas facilmente substituível’.
Na prática, o Brasil ocupa um lugar funcional: abastece a máquina industrial chinesa, mas não “desperta interesse estratégico ou admiração cultural.
O ENGANO DO NACIONALISMO TROPICAL
Há no Brasil uma crença recorrente de que “a China precisa de nós”. É um mito confortável, mas falso.
Na balança de dependência, é o Brasil quem precisa da China — como principal comprador de suas commodities e um dos maiores fornecedores de produtos industrializados.
Na visão de Emir, a China poderia substituir o Brasil por Indonésia, Austrália ou nações africanas. Já o Brasil, sem a China, teria um colapso imediato nas exportações agrícolas e minerais.
Essa assimetria, para ele, mostra que enquanto alguns brasileiros se orgulham de uma importância ilusória, a China apenas age com racionalidade econômica: compra onde é barato, vende onde há lucro.

A ANALOGIA DO VIZINHO DAS FRUTAS
O professor diz que pode explicar tal relação de forma simples:
“O Brasil é como o vizinho que vende frutas boas e baratas. A China compra porque é conveniente, mas não se importa com quem ele é – contanto que as frutas cheguem frescas”.
Somos, portanto, um país simpático, mas irrelevante.
E, de acordo com Emir Candeia, “até que o Brasil se torne produtor de tecnologia, cultura global e conhecimento, continuará sendo o país das boas frutas e de Neymar”.
Ou seja, “a simpatia permanece, mas o prestígio não existe”, uma vez que no mapa mental do cidadão chinês, o Brasil ainda é um território nebuloso – distante, exótico e dispensável.
Fonte: Da Redação (Por Emir Candeia Gurjão, direto da China)
