EXCLUSIVO – Os últimos seis meses do Governo João Azevedo

Publicado em 4 de outubro de 2025

Restam apenas 180 dias para o governador João Azevedo se apear do poder. O tempo é muito curto para inaugurar uma bateria de obras, algumas delas iniciadas ainda na gestão de Ricardo Coutinho. Lucas Ribeiro assumirá os destinos da Paraíba em 04/04/2026, enfrentando uma campanha, com vistas à sua reeleição. Ora na lanterna, terá como desafio superar (pela ordem) os índices já alcançados por Adriano Galdino, Efraim Filho e Cícero Lucena. Para o Palácio da Redenção, o “poder de caneta” reverterá o quadro em seis meses (04/10/2026), dia da votação do primeiro turno.

Indagamos de uma figura “palaciana” qual a estratégia a ser usada para um crescimento tão rápido, e em tão pouco tempo. Ouvimos como resposta: a cooptação imediata de 160 prefeitos, atraídos por convênios a serem celebrados entre o Governo do Estado e Municípios, garantindo o voto para o Senado (João Azevedo) puxado pela “caneta” de Lucas Ribeiro. Empolgado na argumentação, o “palaciano” fez questão de destacar as reservas do Tesouro Estadual, acima de 5,0 bilhões de reais. O roteiro é perfeito. Só esqueceram um pequeno detalhe.

O de que Lucas Ribeiro assumirá no micro período eleitoral, que se inicia a partir de 01/01/2026.

Com “memória curta”, esqueceram a cassação do mandato de Cássio Cunha Lima, reeleito governador em 2006 acusado de abuso do poder político e econômico. Cássio usou um programa do governo federal – cheque reforma – como todos os demais Estados da Federação o fizeram. Mas, por que só Cássio foi cassado? Transferiu o dinheiro da Secretaria de Ação Social – recurso do governo federal – para a FUNDAC, que distribuiu os cheques para inscritos no programa na Secretaria de Ação Social. O ministro relator do TSE, Eros Grau, fez o comparativo dos gastos realizados no ano anterior pela FUNDAC, com o ano eleitoral. Quantos milhões de reais o governador João Azevedo transferiu para os municípios, através de convênios em 2024, 2025?

Entre janeiro e junho (2006) Cássio realizou a Ciranda de Serviços, levando ações sociais para diversos municípios, uma parceria realizada com apoio do SESI-PB. Após denúncias, consultou o MPE – Ministério Público Eleitoral, que recomendou encerrá-lo. Faltavam quatro meses para o primeiro turno e sequer haviam sido realizadas as convenções partidárias. Cássio ainda não era candidato. Argumentos apresentados pela defesa e rechaçados pelo TRE-PB e TSE. Os gastos foram realizados no micro período eleitoral, segundo a Justiça, com a finalidade de potencializar sua candidatura.

Não escondendo mais sua predileção, o governador João Azevedo confirmou ontem a decisão de apoiar Lucas Ribeiro, enfatizando em entrevista que “gostaria de vê-lo governador”. E ainda acrescentou (irritado) que não mudará de posição, nem ficará “em cima do muro”. Será que já avaliaram a reação do presidente da ALPB, Adriano Galdino, o devoto amigo de ontem, e o preterido de hoje? Ele continua sua peregrinação, subindo e descendo ladeiras, nos mais distantes grotões do Estado, à procura de apoios e como pré-candidato ao governo.

Adriano Galdino deve ter lido Augusto dos Anjos, quando cursou o ensino médio. Poema Versos Íntimos, sobre a desilusão e ingratidão. “A mão que afaga, é a mesma que apedreja”.

Fonte: Da Redação (Por Júnior Gurgel)