
Valberto José
Jornalista, habilitado pelo curso de Comunicação Social da Universidade Regional do Nordeste (URNE), hoje UEPB. Colunista esportivo da Gazeta do Sertão e d’A Palavra, passou pelo Diário da Borborema e Jornal da Paraíba; foi comerciante do setor de carnes, fazendo uma pausa de 18 anos no jornalismo.
Xote traz alento à música raiz
Publicado em 22 de agosto de 2025Ouvindo com certa constância xotes recentes nas vozes de Santana, Flavio Leandro e Nonato Costa, comecei a me perguntar se “Que nem vem vem” teria alcançado o sucesso que alcançou se gravada em ritmo de um forró mais acelerado, tipo baião e arrasta-pé. Único xote entre as 14 músicas lançadas por Flávio José em 1991, foi a mais tocada no São João de Campina Grande naquele ano.
Composição de Maciel Melo, “Que nem vem vem” entrou no, à época, “LP” a contragosto do monteirense, após insistência de rapaz de Sertânia, diante de sua resistência em gravar um xote. “É muito devagarzinho. Se fosse mais animado… A gente está na animação do forró e parar para tocar um xote vai desanimar”, relembrou Flávio ao Podcast Nordestino.
O moço insistiu, perguntando quantas músicas seriam colocadas no disco. “Pelo amor de Deus 13 a 1! Coloque pelo menos um xote”, apelou o moço, que, após a aceitação de Flávio, entrou em contato com Maciel Melo. Este veio a Monteiro trazendo outros dois xotes, gravados em discos seguintes. Escolhido, “Que nem vem vem” acabou sendo considerado o hino do Maior São João do Mundo do ano.
Foi a senha para Flávio José continuar gravando xotes e outros nomes da Música Nordestina voltarem a colocar em seus discos. Ao mesmo tempo, além de temas da região, o ritmo passou a musicar letras mais românticas, de paixões e amores não correspondidos. Tanto que até Alceu Valença colocou no seu repertório Flor de Tangerina em gravação de 2002, mais tarde tema da novela “Velho Chico”.
Desde o mês de junho, pesquisando novas músicas do legítimo forró raiz no Youtube, encontrei três xotes que me encantaram. Primeiramente, “Por onde anda você”, interpretado por Santana; depois veio Flávio Leandro cantando “Chegue pra cá”, e mais recentemente ele fazendo dupla com Nonato Costa em “Meu mundo cinza”. Três delícias de xote!
No meu mais recente passeio pela plataforma verifiquei que as três composições estão bombando. Em três meses, “Por onde anda você” somava, até sexta-feira 22/08, 155 mil visualizações; “Meu mundo cinza”, em um mês, 51 mil, e “Chegue pra cá”, 36 mil, em seis meses. A campeã em visualização, no entanto, é “Anjo Querubim”, regravada por Santana em álbum exclusivamente com músicas de Petrúcio Amorim.
Variação do forró, o xote nordestino tende a se sobressair ainda mais diante dos demais tipos do consagrado ritmo regional, nos últimos tempos tão relegado pela ascensão de bandas que se apropriaram do nome forró. Um alento de que a nossa música raiz volte a ter vez nas paradas de sucesso, como se dizia antigamente.
