Valberto José

Jornalista, habilitado pelo curso de Comunicação Social da Universidade Regional do Nordeste (URNE), hoje UEPB. Colunista esportivo da Gazeta do Sertão e d’A Palavra, passou pelo Diário da Borborema e Jornal da Paraíba; foi comerciante do setor de carnes, fazendo uma pausa de 18 anos no jornalismo.

Acho que Flávio José me causa um efeito psicológico

Publicado em 15 de agosto de 2025

Qualquer pesquisa feita no Google sobre quem é hoje o principal cantor de forró ou forró pé de serra, a resposta instantânea aponta Flávio José. Quando a pergunta indaga quem, na atualidade, é o principal nome da música nordestina, ele figura entre os 10, junto com Elba Ramalho e Alceu Valença, além de Safadão e outros do chamado forró eletrônico e do piseiro.

Estive com Flávio José em duas oportunidades. A primeira, na redação do Diário da Borborema em 1987 ou 1988, em trabalho de divulgação do disco lançado naquele ano. Não o conhecia, mas o companheiro Tobias de Pace, responsável pelo espaço do futebol amador do jornal, me passou toda ficha dele, de funcionário do Banco do Brasil a músico do grupo Tropicais de Monteiro.

Na segunda oportunidade, uns sete anos passados, antes da pandemia, portanto, chegamos, eu e meu irmão Bia, na Nutricarnes, em José Pinheiro, onde Flavio José exercia, naquele momento, o sagrado direito de consumidor. O mano pediu-lhe para tirar uma foto juntos e me chamou; ainda hoje acho que não fiquei bem na imagem fotográfica.

Ouvindo-o desde o estouro de “Que nem vem-vem”, adquiri com o tempo, diante da performance musical do monteirense, um problema psicológico. Não posso ouvir um novo xote, que fico a pensar ou digo a quem está por perto “que se fosse com Flávio José era mais bonito”. Só pode ser psicológico! Talvez seja o desejo de escutá-lo cantando uma nova composição, o que não o faz há muitos anos.

Há três meses que ouço ‘Santana o Cantador’ interpretando “Por onde anda você”, uma beleza de xote; também escuto Flávio Leandro em sua melhor performance vocal cantando “Chega pra cá”; tenho ouvido ainda Nonato Costa com a participação de Flávio Leandro em “Meu mundo cinza”. Mas não tem jeito: com Flávio José essas músicas ficariam mais bonitas, penso.

Interessante que todas são xotes, lindos xotes românticos, diria, que acalmam a alma, deixando-a mais serena, e o coração no seu bate-bate compassado. Não é à toa que Flávio José, com sua voz argentina, é considerado o Rei do Xote. Se Lindu, do Trio Nordestino, era considerado a voz de ouro, Flávio José é a voz de prata. Uma bela voz de prata a brilhar e a encantar, como uma noite de luar, pelos rincões nordestinos.