Valberto José

Jornalista, habilitado pelo curso de Comunicação Social da Universidade Regional do Nordeste (URNE), hoje UEPB. Colunista esportivo da Gazeta do Sertão e d’A Palavra, passou pelo Diário da Borborema e Jornal da Paraíba; foi comerciante do setor de carnes, fazendo uma pausa de 18 anos no jornalismo.

O “casamento” da Raposa com o Galo

Publicado em 31 de julho de 2025

A aridez de resultados de Treze e Campinense nas competições disputadas nesta temporada, que culminou com a ausência de ambos em competições nacionais em 2026, me faz lembrar a lenda do “casamento da raposa”. É a segunda vez em 19 anos que isso acontece; na última, conforme as estatísticas, os “maiorais” ficaram de fora ao mesmo tempo do Campeonato Brasileiro de 2007.

Desde pequeno que eu escuto falar no “casamento da raposa”, expressão popular que descreve um fenômeno da natureza, aquele quando chove e faz sol ao mesmo tempo. Pensava que a lenda era exclusiva do Nordeste, mas há tempo descobri que faz parte de várias culturas. Além de outras regiões do Brasil, é narrada na África do Sul, Alemanha, Estados Unidos e Japão, com pequenas variações em seu enredo.

Pelo menos de duas versões do “casamento da raposa” eu me lembro. Ambas com o leão envolvido, disposto a presentear a noiva com sol e chuva ao mesmo tempo. Numa, a raposa fêmea casando-se com a raposa macho; outra casando-se com o lobo, seu inimigo. Na lenda, o leão pergunta se a raposa quer chuva ou sol no dia do seu casamento. Esperta, ela desafia o leão a lhe oferecer os dois ao mesmo tempo.

Fazendo uma analogia da lenda com o futebol local, coloquemos os rivais como protagonistas. Sem disputar competições nacionais desde o ano passado, a Raposa, astuciosa, começou a acenar ao Galo uma aliança para que ele também ficasse fora das séries dos certames da CBF. E nem precisou requisitar a ajuda do Leão, aquele da Ilha, que também vem fracassando na Série A.

Atordoando-se com os insistentes acenos da, desde 2023, malsucedida Raposa, o Galo começou a fraquejar já na disputa estadual; disputando a Série deste ano, chegou à última rodada ajoelhando-se aos pés da Santa Cruz. Agora, estão abraçados, sem séries, alijados de competições nacionais.

Selada a aliança do fracasso, resta uma pontinha de esperança, pois chuva e sol é fenômeno incomum da natureza. Isto é, acontece de tempos em tempos. Mas do jeito que as coisas estão e permanecendo, parodiando outro ditado popular, só quando o “galo criar dente” …