Júnior Gurgel

Jornalista político, memorialista e Ghost writer. Ex- diretor de Jornais e Emissoras de Rádio na Paraíba, com atuações no Radiojornalismo.

EFRAIM REFORÇA A DIREITA NA PARAÍBA

Publicado em 28 de julho de 2025

Não aparecia no radar da classe política, muito menos da mídia, o propósito da visita da ex-primeira dama Michele Bolsonaro a Paraíba trazendo consigo um pré-candidato a governador, senador Efraim Filho. O silêncio da mídia, literalmente “palaciana”, prenuncia uma mudança repentina com resultados imprevisíveis, mudando um jogo onde quem vinha dando as cartas era o governador João Azevedo.

Michele Bolsonaro, em todas as amostragens realizados pelos mais diversos institutos de pesquisa, quando não vence Lula figura empatada tecnicamente. A tarefa entregue a Efraim Filho o empodera e lhe dota de prestígio que jamais sonhou conquistar. Doravante, pode escolher dois candidatos a senadores, dois suplentes e um vice-governador. Para Marcelo Queiroga, provisoriamente lançado para o Senado, o importante é a vitória. Tem sua vaga garantida no Ministério da Saúde, num eventual triunfo da direita.

Inversamente, o que ora está sobrando a Efraim – influência e apoio irrestrito da direita bolsonarista conservadora – falta ao deputado Adriano Galdino, o único candidato que botou a “cara” em defesa de Lula e ofereceu à ministra Gleisi Hoffman um palanque para o PT na Paraíba. Pelo andar da carruagem, parafraseando o saudoso Zagalo, “vão ter que engolir Galdino”.

Cícero Lucena e Lucas Ribeiro serão “rebocados” pelo desembarque do PP e União Brasil do governo federal, e terão que votar no candidato do bloco, Ronaldo Caiado, que fechará questão e exigirá fidelidade partidária. Quem restará como candidato de João Azevedo? Galdino já obteve autorização de Marcos Pereira, presidente do Republicanos, para apoiar e votar em Lula. Tem estreitado sua relação com Ricardo Coutinho, que inclusive já o convidou para filiar-se ao PT. É próximo de Luciano Cartaxo, e falta apenas o aval de Hugo Motta e Wilson Santiago.

A reação de Pedro Cunha Lima, pego de surpresa, foi declarar que manteria sua candidatura. Com quem formará a chapa? Não está na direita, nem na esquerda. Terá que conseguir um vice, dois candidatos ao Senado, dois suplentes, formar uma bancada para a Câmara dos Ddeputados e Assembleia Legislativa. Veneziano Vital do Rêgo – o mais prejudicado com a candidatura de Efraim Filho – ainda tem a alternativa de unir-se a Adriano Galdino e Ricardo Coutinho. Num palanque só com Pedro repetirá seu insucesso de 2022.

Gratidão (sentimento) e coerência (comportamento) não passam despercebidos pelo eleitor. Bruno Cunha Lima só conseguiu ser candidato à reeleição graças a Efraim Filho, que lhe deu abrigo no União Brasil. Tem a chance agora de indicar sua esposa como vice, ou ser candidato ao Senado Federal. Romero Rodrigues, se tiver coragem, é outra opção para o Senado. Se perder a eleição, descansa apenas um ano. Seu retorno à PMCG será por aclamação, com ou sem o apoio de Bruno. Quanto a Cássio Cunha Lima, e o boato que será o suplente de Veneziano, dificilmente será aceito por Gleisi e pelo PT. Ninguém esqueceu sua posição no combate ostensivo (linha de frente), valente soldado que lutou pelo impeachment de Dilma Rousseff. E como justificará aos eleitores sua presença no mesmo palanque de quem lhe tirou da vida pública? Ficar ao lado do ex-governador Ricardo Coutinho, que o derrotou por duas vezes consecutivas!? Por outro lado, será que o “cabeludo” terá coragem de descartar Ney Suassuna, patrono de sua exitosa carreira política?

Se João Azevedo raciocinar com sensatez seguirá os passos do saudoso Ernany Sátiro. Teve que abdicar do seu maior sonho, o Senado Federal, e ficar no governo para concluir as obras que o imortalizaram na Paraíba os Estádios O Almeidão (JP) e O Amigão (CG), Centro Administrativo e a CEASA (CG). A obra que imortalizará a gestão de João Azevedo será a ponte ligando João Pessoa a Lucena. Vai deixar a “placa” com o nome de outro? O Hospital de Trauma de Campina Grande foi iniciado e quase concluído por Cássio Cunha Lima. José Maranhão finalizou as obras físicas. As instalações e inauguração ficaram a cargo de Ricardo Coutinho. Na placa, consta que foi inaugurado na gestão do governador Ricardo Coutinho.