
Júnior Gurgel
Jornalista político, memorialista e Ghost writer. Ex- diretor de Jornais e Emissoras de Rádio na Paraíba, com atuações no Radiojornalismo.
SAÚDE: O CALCANHAR DE AQUILES DE BRUNO CUNHA LIMA
Publicado em 25 de julho de 2025Bafejado pela sorte o prefeito de Campina Grande, Bruno Cunha Lima, tem navegado em mar de almirante e pelas previsões meteorológicas chegará ao seu destino (2028) sem nenhuma tempestade a vista. A oposição municipal da Rainha da Borborema não tem conseguido despertar a mínima atenção da população. Tartamudeia um discurso repetitivo, radical, ininteligível e envelhecido. Desde 2004, não surge uma única liderança para enfrentar o clã Cunha Lima. O último, foi o senador Veneziano Vital do Rêgo.
Com mais de cinco anos à frente dos destinos da Capital do Trabalho, o nosso alcaide tem se limitado a encerar o “mosaico” instalado e inaugurado na gestão de seu antecessor, Romero Rodrigues. Ruas limpas, iluminadas, pavimentação bem conservada e o Maior São João do Mundo bem organizado. O que ainda se destaca em sua gestão é o avanço significativo do excelente trabalho que vem sendo realizado pela secretaria de educação, sob o comando de Raymundo Asfora Neto. A educação municipal, presente em todos os bairros e interagindo com a população, subliminarmente ilustra a imagem do prefeito. O menino ou o jovem de hoje é o eleitor do amanhã. Mesmo assim, com poucos recursos, carente de mais investimentos diretos do tesouro municipal, Asfora Neto “está se cosendo com suas próprias linhas”. Fica subentendido que sua área não é prioridade ou principal bandeira do governo.
Disperso em suas avaliações, Bruno apagou todo o brilho da “Saúde”, programa e marca – carro-chefe – dos dois mandatos do ex-prefeito Romero Rodrigues, que lhe deu o discurso para elegê-lo em 2020. Descuido, desatenção ou inabilidade? Talvez os três. A Saúde tem sido o “calcanhar de Aquiles” de Bruno Cunha Lima. A complexidade da pasta exige um gestor experiente, com amplo conhecimento e histórico de sucesso comprovado. Improvisar neste setor implica em acumular desgastes impagáveis na memória da população. Nada contra a pessoa do secretário Dunga Júnior. Mas, seu excelente desempenho à frente da STTP não o credencia a assumir o comando da saúde do município. São coisas absolutamente distintas. Quem toca um “birimbau” de uma única corda não consegue tocar um violão com seis. Segundo Dalton Gadelha, em discurso de agradecimento ao governo do Estado onde alfinetou o prefeito Bruno Cunha Lima, João Azevedo é quem está salvando a saúde do município.
Ainda sobre a sorte de Bruno, o seu grande adversário, o governador João Azevedo – que tem feito uma gestão paralela na área da Saúde em Campina Grande – é um político improvisado pelo seu antecessor Ricardo Coutinho. Não conseguiu agregar as tradicionais lideranças anti-Cunha Lima, nem estimulou a renovação de velhos personagens debilitados pelo tempo, escravos de contracheques do Escritório do Governo em Campina Grande. Fez uma belíssima reforma na sede, tem até um gabinete onde ele viria uma vez por semana despachar na Rainha da Borborema. Sua presença enxergaria jovens talentosos em busca de oportunidade, ofuscados pelos eternos servidores da casa, temerosos de perderem seus espaços.
Talvez seja até uma malfadada comparação. Mas, para muitos, politicamente as semelhanças de Bruno e João Azevedo são idênticas. As lideranças “paroquianas” reclamam a falta de atenção e sensibilidade do prefeito. Difícil de encontrá-lo, falar com ele, não atende o telefone. Culpavam o seu Chefe de Gabinete. Erro crasso, julgamento perverso. Gilbran Asfora conhece em profundidade a “ansiedade” da classe política. Serviu de amortecedor e para-choques, preservando os descasos do prefeito e sua inapetência em tratar com pede-pede do cotidiano, demandas levadas pelo seu exército, sempre à procura de “munição”.
Ronaldo Guerra carrega este mesmo fardo. João Azevedo, com a sensibilidade de quem conserta relógio de pulso usando luvas de boxe já falou publicamente que não tem político de preferência. Os deputados estaduais dificilmente conseguem vê-lo. Sem rodeios, disse mais de uma vez que trabalha para o povo e não para prefeitos, os mais queixosos por não serem atendidos quando o procuram. Terceiriza (tecnicamente) a tarefa para qualquer pasta de sua gestão. Detesta a “bajulação” pegajosa, que faz parte da liturgia do cargo, e costumeiramente se esquiva de usar o “sim” ou o “não”, deixando todos “na mão”.
