Júnior Gurgel

Jornalista político, memorialista e Ghost writer. Ex- diretor de Jornais e Emissoras de Rádio na Paraíba, com atuações no Radiojornalismo.

JOÃO AZEVEDO JÁ TEM CANDIDATO

Publicado em 18 de julho de 2025

Resistindo a todo tipo de pressão, o silêncio do governador João Azevedo tem falado o que os pré-candidatos não conseguem ouvir. Nada mudou em seu comportamento, desde o dia em que ele respondeu numa entrevista “quebra-queixo” em Campina Grande – ao lado de Adriano Galdino – que não tinha político de preferência. Ficou claro que já tinha um candidato – certamente um técnico de sua confiança e predileção – escolhido para sucedê-lo. Só não pode revelar seu nome no momento. Adotou uma estratégia de guerra e usará como tática: o “elemento surpresa”.

Com a máquina enxuta, um caixa de 5,0 bilhões de reais, um triplo “A” na avaliação do Tesouro Nacional e Agências de Classificação de Riscos Internacionais, tem munição suficiente para o embate. Engenheiro de profissão, calcula riscos. Para chegar aonde está hoje, durante todo o ano de 2017 usou com habilidade a cautela, humildade, prudência, e evitou entrar em rota de colisão com os mais avultados do grupo. Se limitou a prontificar-se, apenas como soldado da causa, disposto a ir à luta.

A mídia especulativa (ansiosa) diariamente escolhe um nome, cria um roteiro, sugere fatos e pinta quadros fantasiosos, formando chapas amoldáveis, onde caibam todos na boleia de um caminhão que só dispõe de quatro assentos: governador, vice, e dois candidatos ao Senado Federal. No final de março de 2026 aqueles que não se dispuserem a subir na carroceria terão que fazer um longo percurso a pé. As deserções serão inevitáveis. O desafio é manter a tropa unida, até o dia de marchar para o front.

O presidente da ALPB, deputado estadual Adriano Galdino, já vem há bastante tempo na estrada. Espera encurtar seus passos, na esperança de ser convidado como passageiro pelo motorista do caminhão. E se a vaga na boleia não for do seu agrado? A Paraíba já sabe de sua intenção em disputar o governo do Estado. Se seu projeto for um sonho inabalável, continue andando. Cada passo dado será um a menos para o destino final do trajeto. Entretanto, se condicionar sua postulação ao apoio do governador perderá tempo, seus concorrentes irão avançar, ocuparão espaços, e fazendo uma analogia à Fórmula 1, irá largar atrasado.

O prefeito de João Pessoa, Cícero Lucena – em plena campanha – aliou-se ao presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, que comprou o sonho de ver seu pai, Nabor Wanderley, Senador da República. Usará sua força e prestígio para alocar recursos extraordinários, e encher os cofres da PMJP. Se Cícero não for o candidato a governador, disputará o Senado. Já passou oito anos na Câmara Alta e deve ter sentido a mesma sensação do ex-senador potiguar Agenor Maria, eleito circunstancialmente em 1974. Quando lhes perguntaram como era o Senado, respondeu: “é o céu, você só não consegue ver Deus, mas escuta sua voz”.

Resta Lucas Ribeiro, o “candidato natural” segundo João Azevedo. Cumpre ordens do tio. Se tivesse autonomia estaria em plena campanha, com ou sem apoio de João Azevedo. Mas, no Clã, o comando é do deputado federal Aguinaldo Ribeiro, que não admite ninguém ao seu lado, e jamais aceitaria alguém à sua frente. Uma vaidade exacerbada e “doentia”, que travou a carreira política da senadora Daniella Ribeiro.

Quando foi eleita em 2018, imaginamos ver se repetir na Paraíba a história de Rosalba Ciarlini no Rio Grande do Norte. Quatro anos andando por todo o Estado, venceu Iberê Ferreira, no governo, sentado na cadeira e com poder de caneta. O vendaval “Rosalba” derrotou até a ex-governadora Wilma de Farias. Com sua gestão muito bem avaliada nas pesquisas, renunciou para disputar uma das duas vagas para o Senado Federal. Figurava em primeiro lugar em todas as pesquisas. Infelizmente, perdeu para Garibaldi e José Agripino.